A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode apresentar diferentes estágios e manifestações clínicas. Durante os estágios primário e secundário da infecção, há maior possibilidade de transmissão. A doença pode ser transmitida por meio de relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada ou para o feto durante a gestação ou parto.
No estágio primário, é comum aparecer uma ferida no local de entrada da bactéria, entre 10 e 90 dias após o contágio. Essa lesão é chamada de cancro duro e normalmente não causa dor, coceira ou ardência. No estágio secundário, podem surgir manchas no corpo, febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. As manchas desaparecem em algumas semanas, mesmo sem tratamento.
Na fase assintomática, os sinais da doença não aparecem, mas a sífilis está presente no organismo. Essa fase pode ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária. Já a sífilis terciária pode surgir muitos anos após a infecção inicial, causando lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.
Segundo dados do Ministério da Saúde, de janeiro a junho de 2022, o Brasil registrou 122 mil novos casos de sífilis. No mesmo período, foram identificados 79,5 mil casos de sífilis adquirida, 31 mil casos em gestantes e 12 mil casos de sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê.
Entre 2016 e 2021, houve um aumento considerável nos casos de sífilis no país. Em 2016, foram registrados 91.506 casos, enquanto em 2021 foram 167.523. O número de gestantes infectadas também aumentou significativamente, passando de 38.305 em 2016 para 74,095 em 2021. A sífilis congênita também teve um aumento, passando de 21.547 casos em 2016 para 27.019 em 2021.
A sífilis congênita é uma preocupação especial, pois pode levar à morte do feto ou a lesões fetais irreversíveis. Sem tratamento, o bebê pode nascer com a doença, exigindo internação e administração de antibióticos como parte do tratamento.
Mariana, uma mulher de 23 anos, descobriu que tinha sífilis ao dar à luz a uma menina. Os exames confirmaram que tanto ela quanto sua filha estavam com a doença, e o tratamento foi iniciado. Mariana relata que o tratamento não é fácil, principalmente para a criança, que recebe medicamentos injetáveis por 10 dias.
Especialistas destacam a importância do pré-natal regular para identificar e tratar a sífilis durante a gestação. O uso de preservativos nas relações sexuais também é fundamental para prevenir a doença. Os testes rápidos estão disponíveis nas unidades básicas de saúde, e o tratamento é feito com penicilina, dependendo do estágio da doença.
É fundamental que o parceiro também seja tratado, seguindo o mesmo regime de tratamento. O acompanhamento próximo da criança nascida de mãe com sífilis é necessário, pois os sintomas podem surgir nos primeiros meses e é importante monitorar a criança até os dois anos de vida.
A conscientização sobre a sífilis e a adesão aos métodos de prevenção são essenciais para combater essa doença. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações e garantir a saúde das gestantes e seus bebês.
