Dirigido por Nany Oliveira, o filme faz parte do projeto Mediversidade, uma iniciativa dos braços sociais de dois grupos empresariais do setor educacional, o Instituto de Educação Médica (Idomed) e o Instituto Yduqs. A proposta do curta é levantar reflexões sobre o racismo estrutural presente no atendimento médico, ressaltando a jornada de um homem negro que enfrenta a indiferença de profissionais de saúde ao buscar assistência.
Diversos estudos têm demonstrado a desigualdade existente no atendimento médico de pessoas negras. Uma pesquisa realizada em 2018 na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) revelou que mulheres pretas e pardas têm duas vezes mais chances de receber um diagnóstico tardio de câncer de mama em comparação com mulheres brancas. Esses dados foram publicados na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, evidenciando a disparidade no tratamento de acordo com a cor da pele.
Além disso, um estudo publicado em 2023 apontou que pacientes negros têm maior probabilidade de serem hospitalizados devido a erros médicos em quase todas as regiões do Brasil, com exceção do Sul. Essas informações foram divulgadas em um boletim do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) e do Instituto Çarê, indicando a necessidade de mudanças urgentes no sistema de saúde.
No contexto internacional, pesquisas nos Estados Unidos têm revelado resultados semelhantes. Um estudo realizado pelo Centro Médico de Boston mostrou que pacientes negros são diagnosticados com Alzheimer em uma idade mais avançada do que pacientes brancos, evidenciando um atraso na detecção de doenças em pessoas negras.
O curta-metragem “Corpo Negro” destaca, por meio de dados apresentados em letreiros, a desigualdade no tempo de consulta entre brancos e negros, além de ressaltar a baixa representatividade de profissionais negros na área da saúde. O filme também propõe reflexões sobre as medidas necessárias para promover uma saúde mais igualitária, como a implementação de cursos sobre letramento étnico-racial e a ampliação das vagas afirmativas para profissionais negros.
Diante desse cenário de desigualdade no atendimento médico, o projeto Mediversidade busca oferecer soluções concretas para promover uma saúde mais inclusiva. Entre as medidas propostas estão a revisão da matriz curricular da graduação em Medicina, a concessão de bolsas integrais para estudantes negros, e a adoção de manequins negros nas aulas e simulados, visando a diversidade e a equidade no sistema de saúde.




