SAÚDE – Crise de chikungunya em Dourados: Ministro Eloy Terena denuncia impacto severo em comunidades indígenas e promete ações emergenciais de combate ao mosquito.

O atual cenário de saúde pública em Dourados, Mato Grosso do Sul, foi categorizado como crítico pelo novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena. Durante uma visita ao município, realizada na última sexta-feira, Terena destacou a gravidade da situação em decorrência dos surto de chikungunya, que levou a cidade a declarar emergência em saúde. O ministro enfatizou que a responsabilidade pela gestão de saúde é coletiva, sem atribuições específicas a um único ente federativo, e reforçou a necessidade de uma abordagem integrada para enfrentar a crise.

De acordo com dados do governo estadual, entre janeiro e início de abril, foram confirmados 1.764 casos de chikungunya em todo o estado, incluindo 37 gestantes. Dourados, sozinha, representou 759 desses casos, sendo a região mais afetada. O impacto, embora atinja toda a população, é ainda mais severo nas comunidades indígenas que ali residem. A situação é alarmante, com cinco dos sete óbitos registrados em todo o estado ocorrendo na Reserva Indígena de Dourados, onde dois dos falecidos eram bebês com menos de quatro meses.

Diante do aumento dos casos, o governo federal, reconhecendo a urgência da situação, anunciava uma série de medidas contra o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença. A atuação do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde reforçou a necessidade de ações imediatas, levando à mobilização de agentes da Força Nacional do SUS, que se uniram a equipes de saúde indígena para uma força-tarefa efetiva.

Recursos significativos — cerca de R$ 3,1 milhões — foram direcionados a Dourados, com um terço destinado a ações de assistência humanitária, incluindo limpeza urbana e controle de vetores. Eloy Terena ressaltou que esses fundos já estão disponíveis para que as autoridades locais possam contratar serviços de saúde emergenciais.

A resposta à crise inclui a contratação de 50 agentes de combate a endemias, cujos trabalhos começam imediatamente, em um esforço para conter a propagação da doença e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde. No entanto, representantes da Força Nacional do SUS indicaram que a situação permanece desafiadora, com a necessidade de monitoramento e resposta dinâmica à epidemia.

Adicionalmente, Terena fez um apelo à prefeitura de Dourados para que ofereça maior atenção à coleta de resíduos sólidos nas comunidades indígenas, enfatizando que a limpeza e a eliminação de criadouros do mosquito são essenciais para combater a proliferação da doença. O ministro se comprometeu a dialogar com representantes do governo local e estadual, buscando soluções estruturais que atendam adequadamente as necessidades das comunidades indígenas.

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