Essas informações foram apresentadas em um seminário sobre controle do câncer, realizado no Rio de Janeiro em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Câncer. Elisabete Weiderpass, diretora da Agência Internacional para Pesquisa de Câncer da OMS, destacou a magnitude do problema, revelando que, atualmente, o câncer resulta em cerca de 10 milhões de óbitos anuais, sendo o câncer de pulmão o mais prevalente, com 2,5 milhões de novos casos diagnosticados anualmente.
Elisabete ressaltou que o câncer não se distribui de forma equitativa pelo mundo; a Ásia, por exemplo, abriga 60% da população global, mas responde por aproximadamente metade de todos os casos e mortes relacionadas à doença. Esse panorama indica falhas significativas nas áreas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Além das questões de saúde, o impacto econômico também é aterrador. As mortes prematuras causadas pelo câncer, especialmente entre indivíduos de 15 a 64 anos, resultam em uma perda de produtividade estimada em US$ 566 bilhões, ou cerca de 0,6% do PIB global. As regiões mais afetadas, em termos de perda proporcional do PIB, são a África Oriental e Central.
No Brasil, as previsões são igualmente preocupantes, com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimando 700 mil novos casos anualmente entre 2023 e 2025. Até 2050, esse número deverá subir para 1,15 milhão, representando um aumento de 83% em relação a 2022. O número de mortes também deverá quase dobrar até 2025, totalizando 554 mil.
Durante o seminário, o ministro da Saúde enfatizou a urgência da colaboração em nível global para garantir acesso a tecnologias de saúde essenciais e combater fatores de risco, como o tabagismo e o consumo de alimentos processados. O diretor-geral do Inca, por sua vez, apontou que o câncer deve ser encarado como uma doença crônica, exigindo um manejo eficaz, e não apenas um enfoque no combate.
As discussões revelam que, apesar do avanço no tratamento, as desigualdades estruturais ainda persistem. O presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) observou que a desigualdade social no Brasil complica a criação de políticas públicas abrangentes que atinjam todas as camadas da sociedade. O seminário, coordenado por influentes líderes na área da saúde, busca abordar esses desafios complexos e buscar soluções que promovam um tratamento mais equitativo e eficaz para a doença.









