A proposta, iniciativa dos parlamentares Pompeo de Mattos e Fernanda Melchionna, tem como objetivo oferecer suporte às comunidades afetadas por eventos climáticos extremos. Ao integrar assistência social, saúde, educação e defesa civil, a intenção é atender às necessidades de diversos grupos, desde crianças até idosos e pessoas com deficiência.
O PL propõe a implementação do Sistema Nacional de Saúde Mental Climática e a criação de centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades. Os responsáveis pelo projeto destacam a importância da divulgação científica sobre questões relacionadas às mudanças climáticas, além de enfatizarem que a política deve incluir ações preventivas.
Em uma entrevista, Luciana Brafman, fundadora da Time To Act e especialista em políticas públicas sobre clima e bem-estar comunitário, expressou o desespero que sentiu ao ver as consequências de desastres climáticos em diferentes contextos. Ela citou o exemplo de famílias nas Filipinas que permaneceram desabrigadas por um longo período após um terremoto e a situação crítica de gaúchos após as enchentes de 2024. Esses eventos a inspiraram a enfatizar a força necessária para a recuperação dos afetados, muitas vezes sem o devido suporte governamental e psicológico.
Destacando a vulnerabilidade dos grupos minoritários, Brafman afirmou que a destruição gerada pelas mudanças climáticas geralmente afeta mais severamente povos originários, comunidades quilombolas e cidadãos de áreas periféricas, enfatizando que a reconstrução de regiões deve considerar o estado emocional das comunidades.
O pedagogo Reinaldo Nascimento, que atuou no atendimento a vítimas de desastres, observou que muitos dos impactos emocionais em crianças gaúchas, pós-enchentes, incluíam regressões comportamentais, como chupar o dedo ou molhar a cama. Sua experiência em Gaza também revelou como traumas podem intensificar vulnerabilidades e medos.
A campanha Saúde Mental Climática ainda se propõe a combater a desinformação sobre a crise ambiental. Estudo recente revelou que uma parcela significativa da população brasileira é cética em relação à gravidade do problema, destacando que a aceitação da urgência climática é frequentemente ligada ao individualismo. Em contrapartida, a população demonstra maior disposição a apoiar políticas que busquem soluções para as mudanças climáticas.
Essas questões ressaltam a necessidade de um debate público mais informado e a implementação de políticas integradas que priorizem tanto a saúde mental quanto a proteção ambiental. A mobilização em torno da Saúde Mental Climática busca trazer à tona não apenas a urgência da questão climática, mas também a importância de cuidar das feridas emocionais que essa crise deixa nas comunidades afetadas.





