A campanha contará com a produção e disseminação de conteúdos informativos e educativos em diversas plataformas, com ênfase em podcasts. Esses programas abordarão temas relevantes, tais como os fatores de risco associados à doença, a importância da adesão ao tratamento, a maneira correta de utilizar colírios e o combate à desinformação que cerca o glaucoma. Tais iniciativas são fundamentais, visto que a doença muitas vezes permanece assintomática nas suas fases iniciais, fazendo com que muitos diagnósticos sejam feitos apenas quando já há comprometimento da visão.
Estima-se que, no Brasil, cerca de 1,7 milhão de pessoas vivam com glaucoma. A perda de visão provocada por essa enfermidade é irreversível, e o diagnóstico tardio representa um dos maiores desafios enfrentados por profissionais da saúde. Entre os fatores de risco, destacam-se o histórico familiar de glaucoma, a idade acima dos 40 anos e a presença de alta miopia. Além disso, estudos indicam que pessoas de origem negra e asiática apresentam uma predisposição maior à doença.
O CBO ressalta que, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível obter diagnóstico, acompanhamento e tratamento para o glaucoma, que incluem colírios e procedimentos cirúrgicos. A importância da detecção precoce foi evidenciada por dados do SUS que mostram um aumento significativo no número de exames voltados para o diagnóstico da doença entre 2019 e 2025, com mais de 12 milhões de exames realizados.
Contudo, embora tenha havido um crescimento geral de 65% no número de procedimentos, a distribuição desse avanço revela desigualdades regionais. O Sudeste liderou o aumento, com 115%, enquanto o Nordeste ficou atrás, alcançando apenas 36%. Essa disparidade no acesso a serviços oftalmológicos reafirma a urgência das campanhas de conscientização e a necessidade de esforços adicionais para garantir que todas as regiões tenham acesso igualitário ao diagnóstico e tratamento do glaucoma.
