Esses dados são alertas sobre fatores que agravam a situação, como a maior exposição solar, a predominância de indivíduos de pele clara e o envelhecimento da população. Por outro lado, a taxa de incidência continua a ser menor nas regiões Norte e Nordeste, embora estados como Rondônia e Ceará mostrem uma elevação significativa em suas estatísticas de diagnóstico em 2024. Especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) interpretam esse avanço como um reflexo de melhorias na vigilância epidemiológica, ainda que a subnotificação permaneça um desafio, especialmente em áreas rurais.
A crescente detecção do câncer de pele tem sido mais intensa desde 2018, quando a regulamentação exigiu a utilização de cartões de saúde e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) para biópsias. Contudo, a realidade no Sistema Único de Saúde (SUS) é preocupante: usuários têm 2,6 vezes mais dificuldade em agendar consultas com dermatologistas comparados àqueles que utilizam serviços privados. Essa diferença no acesso pode impactar diretamente as chances de diagnóstico precoce, fundamental para tratamentos eficazes.
Apesar de um aumento nas consultas dermatológicas em 2024, que se aproximaram dos níveis de 2019, a discrepância entre o SUS e a saúde privada permanece notável. No setor privado, o número de atendimentos dermatológicos se manteve duas a três vezes acima do SUS. Essa desigualdade evidencia que o acesso inadequado pode levar a diagnósticos mais tardios, resultando em tratamentos mais complexos e invasivos.
As regiões que apresentam um acesso dificultado a tratamentos adequados enfrentam um cenário preocupante. Municípios do interior têm dificuldades em acessar centros de assistência especializados, com uma concentração de unidades em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, enquanto áreas como Acre e Amapá lutam com a escassez de serviços. Essa desigualdade afeta tanto o diagnóstico precoce quanto a eficiência do tratamento.
Além disso, o tempo de espera entre o diagnóstico e o tratamento também divide o Brasil: enquanto no Sul e Sudeste o tempo de espera pode ser de até 30 dias, no Norte e Nordeste, muitas vezes ultrapassa os 60 dias, elevando o risco de complicações.
Diante deste panorama crítico, a SBD defende a implementação de medidas urgentes, que incluem a disponibilização do protetor solar como item essencial na reforma tributária, visando ampliar o acesso a esse produto vital. As propostas foram apresentadas a parlamentares, buscando promover a regulamentação de políticas de prevenção e controle do câncer no Sistema Único de Saúde. A luta contra o câncer de pele no Brasil precisa ser intensificada, e ações eficazes são essenciais para reverter esse alarmante quadro.
