Um dos pilares para esse avanço tem sido a distribuição interestadual coordenada pela Central Nacional de Transplantes, que facilitou a realização de 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro pâncreas. Esta estratégia não apenas atendeu a necessidades clínicas urgentes, mas também minimizou a perda de órgãos que são sensíveis ao tempo de isquemia.
O transporte eficiente de órgãos e equipes é outro fator crucial nesse cenário. O Ministério da Saúde, em colaboração com companhias aéreas e a Força Aérea Brasileira, possibilitou um aumento significativo no número de voos dedicados aos transplantes. Em 2025, foram realizadas 4.808 missões aéreas, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, garantindo que os órgãos chegassem rapidamente ao seu destino, aumentando as chances de sucesso nos transplantes e, consequentemente, salvando vidas em diversas regiões do Brasil.
Outro elemento que contribuiu para esse sucesso foi o aumento no número de equipes responsáveis pela captação de órgãos, que passou de 1.537 em 2022 para 1.600 em 2025. Essas equipes têm desempenhado um papel fundamental na identificação de potenciais doadores. No entanto, um desafio persistente é a recusa familiar à doação de órgãos, que ainda ocorre em aproximadamente 45% dos casos. Esse dado revela a importância de se discutir a doação de forma aberta com familiares, já que a conscientização sobre a vontade de se tornar um doador pode influenciar positivamente a decisão em momentos de dor.
O Ministério da Saúde tem investido em qualificação, através do Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot), capacitando profissionais para melhor lidar com potenciais doadores e suas famílias. Mais de mil profissionais já foram treinados em diversos estados brasileiros.
Como resultado, o transplante de córnea foi o mais executado, com 17.790 procedimentos, seguido de transplantes renais, medula óssea, fígado e coração. O Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por cerca de 86% dos transplantes no Brasil, garante que os pacientes tenham acesso gratuito a todas as etapas do processo, desde a avaliação até o acompanhamento pós-operatório. Em 2025, o sistema recebeu um investimento de R$ 1,5 bilhão, um aumento de 37% em relação ao ano anterior, evidenciando a prioridade dada a essa questão de saúde pública.
O acesso ao transplante no Brasil ocorre através do Sistema Nacional de Transplantes, que realiza avaliações rigorosas para garantir a compatibilidade entre doadores e receptores. Uma das inovações implementadas nos últimos anos foi a Prova Cruzada Virtual, que avalia previamente a compatibilidade, reduzindo riscos de rejeição e agilizando o processo. Com isso, as expectativas para o futuro em torno dos transplantes no Brasil parecem promissoras, embora desafios ainda persistam.
