SAÚDE – Brasil alcança 95-95-95 na luta contra o HIV e AIDS; Ministério da Saúde revela dados preocupantes em boletim epidemiológico

Os dados apresentados pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira (30) revelam que 1 milhão de pessoas viviam com HIV no Brasil em 2022. Segundo o boletim epidemiológico HIV/aids, cerca de 90% desse total foram diagnosticadas, sendo que 81% das que têm diagnóstico estão em tratamento antirretroviral. Além disso, 95% das pessoas em tratamento antirretroviral têm carga indetectável do vírus.

Esses números mostram que o Brasil atingiu uma das três metas do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) para que a aids deixe de ser uma ameaça à saúde pública até 2030. As metas, popularmente conhecidas como 95-95-95, estabelecem que os três índices devem alcançar 95%.

Entre as pessoas vivendo com HIV no país, 35% ou 350 mil são mulheres e 65% ou 650 mil são homens. Apenas 86% das mulheres foram diagnosticadas, contra 92% dos homens. Além disso, o boletim aponta que as mulheres têm desfechos piores desde a detecção até a supressão da carga viral, segundo o diretor do departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Draurio Barreira.

O levantamento também aponta que, entre gays e outros homens que fazem sexo com homens com mais de 18 anos, a prevalência do HIV é de 18,4%, em contraste com a média da população brasileira, que é de 0,49%. O diretor enfatizou a distância entre os índices. Da mesma forma, a vulnerabilidade também é evidente entre pessoas que usam drogas e trabalhadoras do sexo.

Em relação aos novos casos, o Brasil registrou 43.403 em 2022, com 73,6% em homens e 26,3% em mulheres. É preocupante o fato de que 63,3% das mulheres com novos casos de HIV têm idade entre 20 e 39 anos. Além disso, a maioria dos novos casos têm baixa escolaridade e são pessoas pretas e pardas.

O boletim também destaca a importância da profilaxia pré-exposição (PrEP) como forma de prevenção contra o HIV. No entanto, a PrEP é mais acessada pela população branca em comparação com pessoas pretas, pardas e indígenas. A meta do Ministério da Saúde é expandir o uso da PrEP no Brasil em 300%, passando de 73 mil para mais de 200 mil pessoas.

Outro aspecto importante é o tratamento de gestantes com HIV, visando a prevenção da transmissão vertical do vírus. Em 2022, houve um predomínio de casos de gestantes com infecção pelo HIV, principalmente entre mulheres pardas. O boletim aponta que é crucial que as gestantes estejam em uso regular de terapia antirretroviral para evitar a transmissão do vírus para o bebê.

No que diz respeito às mortes, o país registrou 10.994 óbitos causados pelo HIV em 2022, com uma média de 30 mortes por dia. A maioria dos óbitos ocorreu entre pessoas negras. O Ministério da Saúde ressalta que o combate ao estigma e à discriminação é um dos desafios para garantir o acesso ao tratamento para todas as populações.

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