Embora seja verdade que os índices de vacinação tenham melhorado desde os piores momentos da pandemia de Covid-19, ainda não conseguimos atingir a meta crucial de 95% de cobertura para as duas doses da vacina tríplice viral, que previne não só o sarampo, mas também a caxumba e a rubéola. Esse cenário de vulnerabilidade é ainda mais alarmante diante do aumento da circulação do vírus em países vizinhos. Em 2025 e na segunda semana de 2026, foram registrados 15.922 casos de sarampo nas Américas, um aumento de 32 vezes em relação a 2024, com os Estados Unidos, México e Canadá concentrando quase todos os casos.
Para evitar surtos e garantir a manutenção do status de país livre do sarampo, é necessário um esforço multissetorial que envolva três frentes principais: a intensificação da vacinação, o fortalecimento da vigilância epidemiológica e respostas ágeis e eficazes a casos suspeitos. O Ministério da Saúde tem investido em campanhas de multivacinação e na busca ativa de não vacinados, além de utilizar plataformas digitais para engajar o público jovem.
Um exemplo bem-sucedido desse esforço foi o trabalho em Campos Lindos, no Tocantins, onde cerca de 60% dos casos de sarampo de 2025 foram registrados. As equipes de saúde localizadas ali conseguiram conter a disseminação do vírus por meio da vacinação e identificação de contatos.
Historicamente, o sarampo foi responsável por altas taxas de mortalidade, especialmente infantil, no Brasil, mas foi controlado progressivamente desde a década de 1990. Por ser um dos vírus mais contagiosos, a reintrodução do sarampo no país representa um risco significativo. A vacinação, portanto, mantém-se como a principal ferramenta preventiva. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina gratuitamente em duas doses para crianças a partir de 12 meses e para adultos com menos de 30 anos de idade. Para aqueles com idades entre 30 e 59 anos, é disponibilizada uma dose única. É fundamental que todos verifiquem seu estado vacinal e regularizem seu calendário de acordo com a faixa etária. Vacinar-se é não apenas uma questão de proteção pessoal, mas um compromisso com a saúde coletiva, especialmente em relação a populações vulneráveis que não podem ser vacinadas.
