Uma questão que intrigou muitos no plenário foi o silêncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Alcolumbre não escondeu sua insatisfação pela escolha de Messias, preferindo o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga aberta após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. As esperanças de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação a um gesto de Alcolumbre em favor de Messias não se concretizaram, gerando especulações sobre a real posição do senador.
Nos bastidores, comentários sobre a possibilidade de Alcolumbre ter uma postura contrária à aprovação de Messias eram comuns. Um aliado não identificado mencionou que Alcolumbre estaria “trabalhando contra” a indicação, embora a natureza de tais ações permanecesse um mistério. Por outro lado, alguns membros do governo afirmaram não ter percebido um movimento organizado contra Messias, ressaltando que haveria a expectativa de uma análise mais cuidadosa da situação antes da votação.
A sabatina contou com a presença de diversos senadores e figuras importantes, e a assessoria do Planalto foi mobilizada para acompanhar de perto cada fase do processo, garantindo uma forte presença governamental. Durante a sessão, o clima alternou entre um debate de temas delicados e momentos de cordialidade. Por exemplo, Messias fez questão de reconhecer e elogiar a postura de Flávio Bolsonaro durante a sabatina, frisando a importância do respeito às diferentes posições políticas em um ambiente democrático.
Enquanto isso, o número de votos necessários para a confirmação de Messias, que é de no mínimo 41, continuava sendo uma incerteza. Relatos de especialistas indicavam uma expectativa de apoios variando de 42 a 49 votos. Ex-ministros presenciais mencionaram que a transição entre o Congresso e o STF poderia saturar ainda mais a já turbulenta situação política.
Entre os presentes estavam não apenas senadores, mas também personalidades do mundo jurídico e governamental, testemunhando o que poderia ser um momento crucial na história política brasileira. A presença de figuras como o governador do Piauí e a ex-esposa do ministro Gilmar Mendes reforçou a relevância da sabatina, que foi acompanhada por um público generoso em uma sala adjunta com telões.
Em meio a um cenário repleto de incertezas, a sabatina de Jorge Messias reflete não apenas a complexidade da política brasileira, mas também as relações delicadas entre diferentes esferas de poder. No desfecho, prometia-se que a discussão em torno da ética e da independência do STF continuaria a ser um tema debatido, independentemente do resultado final da votação.
