Essa demora se deve em parte ao próprio Executivo, que só formalizou a indicação ao Congresso no dia 1º de abril, um passo essencial para dar início ao processo oficial de análise da indicação. O advogado, que já havia iniciado uma série de visitas a gabinetes senadores—conhecidas popularmente como “beija-mão”—tem buscado apoio para sua candidatura, embora a trajetória política tenha se mostrado complexa. Inicialmente, suas pretensões ficaram emperradas por disputas internas, especialmente com figuras como Davi Alcolumbre, que apoiava outro nome para a vaga.
A passagem de Messias pela CCJ será decisiva: ali, ele será interrogado sobre sua formação, suas posiçöes jurídicas e questões delicadas do cenário político atual. Após essa etapa, a comissão votará o parecer sobre a indicação, que requer a maioria simples para avançar ao plenário do Senado. Já na votação final, que será realizada em segredo, é necessário que Messias obtenha pelo menos 41 dos 81 votos disponíveis para garantir sua ascensão ao STF.
Em comparação com os processos de indicação anteriores, a espera de cinco meses para a sabatina de Messias é consideravelmente mais longa. Cristiano Zanin, indicado em junho de 2023, teve seu nome analisado rapidamente pelo Senado em apenas 20 dias, enquanto Flávio Dino aguardou cerca de 14 dias para ser sabatinado. As duas passagens anteriores tiveram aprovações igualmente tempestivas, com Zanin, um defensor de Lula durante a Operação Lava Jato, e Dino, que contava com uma carreira política robusta, obtendo aprovações em menos de três semanas após a indicação.
Historicamente, o processo de aprovação de nomes para o Supremo tende a seguir um protocolo que raramente resulta em rejeições, com a última reprovação registrada no século XIX. A expectativa é de que a sabatina de Jorge Messias siga o rito tradicional, que inclui uma análise minuciosa e discussões acaloradas na CCJ antes da deliberação final no plenário do Senado. O desenrolar desse processo não apenas molda a composição do STF, mas também reflete as complexas dinâmicas políticas dentro do Senado brasileiro.






