De acordo com o diplomata, essa percepção é reducionista. Embora a Rússia seja uma das grandes exportadoras de energia do mundo, o aumento dos preços internacionais dos combustíveis pode, paradoxalmente, resultar em uma retração na demanda global. Pankin explica que a elevação dos preços não apenas encarece combustíveis e fertilizantes, mas também torna o país vulnerável em várias áreas, uma vez que a Russia é dependente de diversas importações.
Essa declaração marca uma mudança de postura em comparação com os comentários feitos anteriormente por outros membros do governo. Recentemente, Yuri Ushakov, assessor do presidente, havia garantido que as embarcações russas não enfrentavam restrições no Estreito de Ormuz. Agora, a chanceleria russa admite que a crise já começou a impactar suas operações econômicas.
O Estreito de Ormuz é uma rota crucial, responsável por aproximadamente 20% do petróleo mundial, e, nas últimas semanas, tem se tornado um ponto focal de tensões geopolíticas. A situação é ainda mais complicada com o anúncio de que as forças da Guarda Revolucionária do Irã impuseram restrições à navegação, exacerbando as incertezas do mercado internacional e aumentando o receio de interrupções no fluxo de petróleo e gás natural.
Pankin destacou que o cenário atual é reminiscentemente comparável a grandes crises internacionais dos últimos 50 a 60 anos, ressaltando que, embora a Rússia possua um certo grau de autossuficiência, não está imune às flutuações do mercado global. A combinação do aumento dos preços e a possibilidade de queda na demanda podem impactar tanto as exportações quanto as importações estratégicas do país, tornando a situação ainda mais delicada em um contexto de crescente volatilidade.







