A expressão “necropropaganda” refere-se à manipulação de narrativas relacionadas à morte de individuos para fins políticos e midiáticos, ao explorar a dor e o desespero em busca de apoio ou desacreditação de adversários. Em um comunicado publicado pela Embaixada da Rússia no Reino Unido, o governo de Moscovo expressou ceticismo em relação à credibilidade das análises divulgadas, questionando a veracidade das alegações e fazendo comparações com situações anteriores, como o caso de Serghei Skripal, um ex-espião que também teria sido vítima de envenenamento.
O comunicado não hesitou em criticar a postura da mídia ocidental, que, segundo a Rússia, estaria promovendo uma narrativa histérica e sem evidências substanciais. A mensagem deixou claro que o governo russo considera a utilização do caso Navalny uma forma de explorar a morte para revitalizar o anti-russo que gradualmente diminuía nas sociedades ocidentais.
As acusações foram acompanhadas de um contexto histórico onde a Rússia enfrentou múltiplos escândalos em relação a envenenamentos, como o caso de Skripal, que gerou clamor internacional e consequências diplomáticas severas. O relatório da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) sobre Skripal indicou a presença de um agente nervoso de alta pureza, supostamente desenvolvido pela União Soviética, ampliando ainda mais a desconfiança ocidental em relação às ações de Moscovo.
Este panorama revela não apenas as complexidades das relações internacionais contemporâneas, mas também a dificuldade de obtenção de um consenso sobre as acusações de violência política. As tensões entre as narrativas ocidentais e russas refletem um dilema onde a verdade e a manipulação se entrelaçam, podendo resultar em mais complicações geopolíticas no futuro. O caso Navalny é emblemático dessa batalha ideológica, onde cada lado busca legitimar sua postura diante da opinião pública global.
