A declaração das duas potências asiáticas abre novas vias para o Brasil, particularmente no que diz respeito à exportação de proteína animal para o eixo eurasiático, uma vez que a UE tem imposto restrições. Beatriz Bandeira de Mello, analista em relações internacionais, observa que esse contexto proporciona uma oportunidade para o Brasil expandir suas exportações de carne, especialmente em um momento em que o mercado europeu se apresenta hostil.
O Itamaraty, através de uma nota oficial, ressaltou que o reconhecimento russo expande o acesso de produtos brasileiros ao mercado local, fortalecendo as cadeias de produção de proteína animal. Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), essa chancela permite que o Brasil recupere sua posição como principal fornecedor de carne para a Rússia, um status que ele já teve no passado.
A inserção do Brasil na dinâmica comercial da Rússia e da China pode ainda abrir portas para colaborações regionais com outros países da Eurasia, reforçando assim a rede de intercâmbio comercial. Além disso, o reconhecimento como produtor livre da febre aftosa oferece uma garantia de qualidade que tranquiliza os consumidores internacionais, essencial para a competitividade no mercado global.
À luz deste desenvolvimento, Brasília também busca se posicionar como uma liderança no Sul Global, estreitando laços com países que compartilham objetivos econômicos e políticos similares. A diversificação de parceiros comerciais é vista como uma estratégia vital, especialmente em um cenário global cada vez mais multipolar, onde a influência de países específicos não é mais tão predominante quanto no passado.
Assim, ao fortalecer suas relações comerciais com Rússia e China, o Brasil não apenas solidifica sua presença nos mercados emergentes, mas também reitera sua capacidade de adaptação às novas realidades do comércio internacional, em um cenário repleto de desafios e oportunidades.
