Historicamente, a relação entre as nações foi marcada por períodos de rivalidade e desconfiança, especialmente durante a Guerra Fria, quando a rivalidade sino-soviética se acentuou, culminando em tensões como o conflito de fronteira em 1969. Contudo, na década de 1990, tanto a Rússia quanto a China enfrentavam desafios econômicos significativos. A dissolução da União Soviética e a busca chinesa por um espaço seguro no comércio internacional levaram a um reaprofundamento das relações, especialmente durante a chancelaria de Yevgeny Primakov, que pregava a multipolaridade na política internacional.
Este processo culminou na assinatura do Tratado de Amizade, que Pautasso, especialista em ciência política, descreve como uma “linha de corte” que mudou a dinâmica entre Moscou e Pequim. A aliança, além de ser uma resposta às crescentes pressões ocidentais, representa um movimento em direção à desdolarização do comércio internacional. Conforme os Estados Unidos intensificam as sanções e tentam isolar Moscou, Pequim se torna uma válvula de escape e um parceiro viável para o comércio e investimentos.
As consequências dessa aliança são palpáveis: enquanto o gás russo, que antes abastecia a Europa, agora se dirige para a China, o bloco europeu enfrenta desafios econômicos, com a inflação disparando devido à escassez de energia. A relação sino-russa não apenas oferece novas alternativas às políticas ocidentais, mas também propõe um novo paradigma econômico que questiona a hegemonia do dólar, desenvolvendo mecanismos alternativos de comércio e financeira. Neste novo cenário, a parceria entre essas duas nações parece destinar-se a moldar um futuro onde a influência dos EUA e de suas políticas, na busca por controle global, pode ser significativamente contestada.





