Rússia aumenta estoque de munições e pode ocupar mais território ucraniano, alerta relatório de inteligência da Estônia.

A Rússia está aproveitando sua vantagem de estoque de munições para pressionar a Ucrânia e pode ocupar mais território ucraniano se Kiev não receber ajuda financeira, alertou o relatório anual do Serviço de Inteligência Estrangeira da Estônia. Segundo o relatório, a Rússia aumentou sua produção de munição significativamente, passando de 600 mil unidades em 2022 para até 4 milhões no ano passado, o que significa que Moscou agora possui de três a quatro vezes mais artilharia do que as forças da Ucrânia.

De acordo com o relatório, essa lacuna deverá ser ampliada, uma vez que é “quase certo” que as entregas de munição ocidental não acompanharão a produção russa. Enquanto a ajuda financeira para a Ucrânia está sendo barrada por questões políticas, especialmente nos Estados Unidos, onde cerca de US$ 60 bilhões estão parados no Congresso, o objetivo final da Rússia é pressionar por uma posição de negociação mais favorável.

Após o fracasso dos planos do presidente russo Vladimir Putin de realizar um ataque “relâmpago” em 2022, ele agora está contando com o desgaste para obter vantagem. O chanceler alemão Olaf Scholz destacou a importância de continuar enviando munição e outros materiais para a Ucrânia e instou as nações europeias a fazerem mais para apoiar o governo em Kiev.

Embora as sanções dos EUA e da União Europeia tenham sido eficazes em isolar a Rússia dos mercados financeiros globais, a economia russa ainda está experimentando um boom impulsionado pela guerra. Em 2023, a Rússia conseguiu superar o problema do recrutamento, alistando cerca de 300 mil novas tropas de forma voluntária devido aos salários crescentes.

A agência de Inteligência estoniana alertou que a Rússia pode dobrar suas forças terrestres e aéreas perto da fronteira com a Estônia nos próximos anos, antecipando um possível conflito com a Otan na próxima década. A Estônia se tornou um alvo particular para o Kremlin, que colocou a primeira-ministra Kaja Kallas em sua lista criminal de procurados, segundo a agência de notícias estatal russa Tass, citando o banco de dados do Ministério do Interior.

O relatório da agência de Inteligência alerta que a Rússia poderá ocupar gradualmente grandes territórios ucranianos com uma força massiva e não qualificada, impondo termos de paz desfavoráveis à Ucrânia caso a ajuda ocidental diminua significativamente nos próximos anos. A situação na região leste da Ucrânia continua tensa, com relatos de milhares de projéteis de artilharia sendo disparados diariamente.

Em meio a essas tensões, é crucial que a comunidade internacional esteja atenta à situação na região e tome medidas para garantir a segurança e estabilidade no Leste Europeu.

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