Moscovo opina que fóruns anteriores, como a conferência Copenhague-Ucrânia de 2022 e a Cúpula de Paz de Burgenstock em 2024, embora tenham o objetivo de resolver o conflito, falharam em considerar as posições e preocupações russas, excluindo-a dessas discussões. Para Nebenzya, essa falta de inclusão reflete uma tendência de marginalizar os países do Sul Global, que, segundo ele, deveriam ter um papel mais ativo nas negociações de paz, especialmente em um conflito que afeta a segurança regional e global.
O embaixador ressaltou ainda que a Rússia defende uma solução duradoura, que se fundamente em um acordo legítimo entre as partes. Para isso, é essencial que qualquer acordo de paz seja firmado por uma liderança ucraniana reconhecida, fazendo alusão à situação delicada de Vladimir Zelensky, cujo mandato expira em maio de 2024, em meio a um cenário de cancelamento eleitoral e proibições de diálogo com Moscovo. Esse fator pode complicar ainda mais o processo de negociações, pois a falta de legitimidade da liderança poderia resultar em acordos considerados inválidos.
Nebenzya também alertou sobre a problemática da presença de tropas estrangeiras na Ucrânia. Ele argumentou que a qualquer momento um contingente sem mandato do Conselho de Segurança da ONU poderia ser visto como um alvo legítimo pelas Forças Armadas russas, tornando a situação ainda mais delicada e potencialmente explosiva. Assim, a proposta Amigos da Paz se destaca não apenas como uma tentativa de mediar o conflito, mas também como um apelo à inclusão e respeito à diversidade de vozes no cenário internacional.
