Rui Costa adotou um estilo de gestão rigoroso, focando na fiscalização das ações governamentais e impondo cobranças constantes aos integrantes do primeiro escalão. Esse perfil gerou comparações com a ex-presidente Dilma Rousseff, que, quando chefiou a Casa Civil, conseguiu estabelecer uma visão mais ampla e estratégica das políticas públicas. Enquanto Dilma se tornara um nome forte na política nacional, Costa acabou sendo visto como um “ministro check list”, preocupado principalmente em garantir que os cronogramas dos projetos estivessem sendo cumpridos, mas sem conseguir criar um legado duradouro associado ao novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Embora as expectativas em torno de sua gestão fossem altas, Rui Costa não conseguiu transformar o PAC em um símbolo da administração Lula. Em vez disso, os cortes orçamentários direcionaram os investimentos para iniciativas de menor visibilidade, como a inauguração de postos de saúde e creches, em detrimento de grandes obras como ferrovias e hidrelétricas.
Costa, que foi indicado ao cargo sem história prévia de proximidade com Lula, conquistou a confiança do presidente, principalmente pela sua dedicação e capacidade de barrar projetos inadequados. Contudo, a relação com outros ministros foi complexa, marcada por embates, especialmente com Fernando Haddad, então ministro da Fazenda. Nesses embates, Costa se viu afastado em algumas situações, com Haddad optando por se fazer representar.
Dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), Rui Costa almejava uma trajetória semelhante à de Dilma, que transitou da Casa Civil para a presidência. No entanto, suas ambições foram frustradas com a anulação das condenações de Lula, que reafirmou sua posição e obstruiu os planos do baiano de buscar maior projeção nacional. A promessa de Lula de não buscar um quarto mandato também freou as aspirações de Costa.
Diante desta nova realidade, o ex-governador decidiu recalibrar seus objetivos políticos. Agora, Rui Costa vislumbra uma candidatura ao Senado e já começa a planejar seu retorno ao governo da Bahia em 2030. Para isso, tentou influenciar a escolha do vice-governador Jerônimo Rodrigues, mas sua proposta foi derrotada com a permanência de Geraldo Júnior no cargo.
Com a saída de Rui Costa, há expectativas de que a nova chefia da Casa Civil, agora sob Mirian Belchior, mantenha a linha rígida de cobrança. Belchior traz uma bagagem de experiência significativa nos governos anteriores, o que pode proporcionar uma gestão com um entendimento mais profundo da estrutura federal.





