Ronaldo Lessa Troca Protagonismo por Acomodação e Retorna ao Ninho de JHC, Expondo Decadência de Trajetória Política em Alagoas

Na madrugada desta quinta-feira, 23 de abril, a política alagoana foi agitada por um movimento inesperado e revelador. Ronaldo Lessa, um ex-governador e ex-deputado federal, atual vice-governador, abandonou seu agrupamento político com Paulo Dantas e retornou ao ninho tucano de JHC, ampliando as percepções de ostracismo e pragmatismo em sua história, que já foi marcada por um forte protagonismo e respeito ao funcionalismo público.

O evento significativo foi registrado em uma imagem que exibia Lessa diante da roda-gigante da Pajuçara, próxima ao luxuoso apartamento de R$ 5 milhões que possui à beira-mar. Este registro nas redes sociais não foi apenas uma foto, mas uma clara mensagem política. Lessa retornou aos braços da sigla, capaz de garantir visibilidade e um status que, por anos, pareciam compromissados.

Lessa já havia exercido a função de vice-prefeito de JHC em 2020 e, posteriormente, tornou-se vice-governador na chapa de Paulo Dantas em 2022. Assim, as especulações de que ele possa ser novamente cotado para ser vice-governador na candidatura de JHC estão mais presentes do que nunca. Essa repetição levanta questões incômodas sobre a atual relevância de Lessa no cenário político.

A trajetória do ex-governador é marcada por lutas significativas e um compromisso histórico com a resistência democrática e a valorização dos servidores públicos. No entanto, o que se percebe hoje é um Lessa distante de suas glórias passadas, assumindo papéis secundários em vez de ocupações de destaque.

O retorno ao grupo de JHC não é apenas um reposicionamento estratégico, mas sim uma clara admissão de um esvaziamento político. Durante sua gestão como vice-prefeito, Lessa foi percebido como uma figura sem autonomia, efetivamente um fantoche, mantido em uma estrutura administrativa que não condizia com o peso de sua história.

Após um período de afastamento, Lessa tentou uma nova narrativa ao se aliar a grupos políticos que prometiam revitalizar sua presença. Entretanto, mais uma vez, se viu relegado a uma posição de destaque ilusório, sem real poder ou influência nas decisões.

Sua volta ao lado de JHC, em meio a um cenário de fragilidade partidária e de desmobilização eleitoral, expõe a falta de uma estratégia clara e a fragilidade de seu espaço na política. O PDT, seu partido, não conseguiu apresentar uma chapa competitiva nas últimas eleições, e sua principal aliada, Cátia Born, foi aconselhada a buscar novos ares, enquanto o partido definha.

Esse novo movimento de Lessa, então, não é visto como uma ousadia, mas como um síntoma de resignação e pragmatismo. Em sua trajetória, que já foi marcada por convicções profundas e lutas por direitos, agora ele se vê preso a jogos de interesse que distorcem sua imagem histórica. Ao aceitar um papel secundário, a figura de Lessa se torna cada vez mais distante da que ele mesmo construiu ao longo de sua carreira.

Em um retrato triste de um político que já foi sinônimo de resistência, observa-se que, na busca pela permanência em cargos institucionais, Lessa parece ter sacrificado sua essência, trocando um protagonismo respeitado por um espaço no jogo político que empobrece sua imagem. Com essa reaproximação ao grupo de JHC, Lessa não só reforça a ideia de um declínio político, mas também a impressão de que, ao invés de buscar a liderança, ele se contenta com a sombra de outros. Na complexa República das Alagoas, Lessa, uma vez respeitado pela sua coerência, corre o risco de ser lembrado pelo modo como decidiu concluir sua trajetória política: quase sempre presente ao poder, mas cada vez mais distante de sua verdadeira identidade.

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