O registro oficial da composição eleitoral, apresentado à Justiça Eleitoral, coloca Lessa atrás de Marina JHC e Eudócia Caldas, o que evidência uma inversão de hierarquias. Marina JHC, que ainda não exerceu um mandato eletivo, ocupa o lugar de candidata ao Senado, seguida de Eudócia, uma senadora já em exercício, e Ronaldo na última posição. Essa configuração soa irônica, uma vez que Lessa comandou o estado em um momento em que muitos dos atuais líderes ainda estavam construindo suas próprias carreiras políticas.
Além disso, a própria maneira como as vagas foram distribuídas revela uma falta de respeito à sua trajetória. O PDT, que chegou a fazer parte da aliança, parece ter recebido a sobra da composição, uma vez que a ata que define a segunda suplência foi elaborada sem mencionar Lessa explicitamente. A decisão de ceder a última posição da chapa a ele foi uma escolha subsequente, gerando a impressão de que sua história política, rica e variada, foi tratada com descaso.
Essa situação gera um desdobramento curioso ao considerar seu espaço na chapa como uma medida da força política atual. Enquanto Arthur Lira se posiciona como candidato titular ao Senado, Lessa, que já governou Alagoas, é relegado a uma condição de quase anonimato, onde sua única perspectiva é torcer pela eleição de Marina e Eudócia, e assim, esperançar-se por uma chance de ocupar a cadeira senatorial.
Tal desdobra não apenas revela a perda de protagonismo de um dos maiores nomes da política alagoana, como também simboliza a dificuldade de um político que, apesar de seu legado, se vê em uma situação em que outros, provavelmente com menos experiência e trajetória, ocupam posições de destaque. O encerramento do capítulo eleitoral que se avizinha para Lessa parece, portanto, mais um ato de despedida do que um reconhecimento de sua importância, refletindo uma mudança marcante nas dinâmicas de poder locais.
Diante desse cenário, Ronaldo Lessa tem a opção de aceitar seu novo papel por disciplina partidária ou conveniência política, mas o peso simbólico de sua nova posição é inegável. O ex-governador, figura de destaque em um dos estados mais importantes do Brasil, foi colocado na última fila, atrás de novos personagens da política, mostrando que até mesmo as figuras mais proeminentes podem ser relegadas a um status de reserva em um jogo político em constante transformação.
