Com uma mistura de ficção e relatos verídicos, De Barros elabora uma narrativa poderosa que expõe as injustiças sociais que, muitas vezes, não recebem a atenção merecida. “Terras Submersas” surge como um grito, trazendo à tona a agressiva expansão capitalista vivenciada no Brasil, onde tragédias como as de Mariana e Brumadinho são referência constante. O autor enfatiza que a história é contada a partir da perspectiva daqueles que sofreram perdas reais, tanto práticas quanto simbólicas, sublinhando um estado de indignação que perpassa toda a obra.
A experiência profissional de Lincoln como auditor em processos relacionados à Hidrelétrica de Cana Brava foi fundamental na construção deste romance. Com registros documentais, depoimentos e imagens da realidade enfrentada por aqueles impactados pela usina, ele desenvolveu uma narrativa que não só ilustra, mas também humaniza as histórias de vida dos afetados.
Dividido em nove capítulos, o livro se inicia com uma ocupação simbólica de um banco por membros do Movimento dos Atingidos por Barragens, levando a uma auditoria que revela as graves consequências sociais e emocionais da construção da usina. Os relatos mais impactantes são dados diretamente pelas vítimas, capturando a dor e a esperança daqueles que perderam suas terras e meios de subsistência.
De Barros, com 78 anos, trouxe uma bagagem rica de experiências que inclui desde balconista de farmácia até consultor em projetos de grande escala, sempre alinhando sua carreira à luta por justiça social. A pandemia de Covid-19 se tornou um divisor de águas em sua trajetória, possibilitando o mergulho definitivo na literatura. O lançamento de “Terras Submersas” representa não apenas uma realização pessoal, mas um chamado à reflexão sobre os impactos do progresso às custas de vidas humanas.
A profundidade dos relatos emocionais e a eloquência da prosa de De Barros tornam esta obra uma leitura indispensável para aqueles que desejam compreender as complexidades da luta por justiça social no Brasil contemporâneo.





