Rodoviários do Rio suspendem greve temporariamente, mas estado de greve persiste após assembleia tensa; novas negociações estão agendadas para a próxima segunda-feira.

Na tarde desta quarta-feira, o Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro (Sintrucad-Rio) anunciou a suspensão temporária da greve, que estava impactando os serviços de transporte público da cidade. A decisão ocorre após uma assembleia realizada na sede do sindicato, em Rocha Miranda, onde os trabalhadores optaram por continuar em estado de greve até segunda-feira. Durante esse período, o sindicato e os representantes das empresas de ônibus, por meio do Rio Ônibus, deverão se reunir em uma nova audiência de conciliação.

A assembleia anterior, realizada na terça-feira, havia sido marcada pela rejeição de uma proposta apresentada pelas empresas de ônibus, que sugeriram um aumento de 4,39%. Os rodoviários, por sua vez, exigem um reajuste salarial de 17%, fixação de pisos salariais— R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para outras linhas— e também um aumento no vale alimentação. Apesar dos apelos do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) para suspender a paralisação, os rodoviários decidiram inicialmente por manter o movimento.

O clima durante as assembleias foi de tensão. Estima-se que cerca de 1.500 rodoviários participaram da reunião, onde o presidente do sindicato, Sebastião, expressou a insatisfação generalizada da categoria. Após a assembleia, ele ressaltou que, embora houvesse uma trégua temporária, o estado de greve se mantinha firme, advertindo que a paralisação poderia ser retomada caso não houvesse uma proposta satisfatória.

Desde o início do movimento, os usuários dos ônibus têm enfrentado dificuldades para se deslocar. Nos terminais, como o de Deodoro, o fluxo de passageiros aumentou significativamente, e muitos, como o vigia Carlos Augusto, relataram longas esperas por veículos. Outras áreas, como Jacarepaguá, também registraram filas extensas, levando os passageiros a optar por alternativas de transporte superlotadas.

Diante da situação, o Tribunal Superior do Trabalho determinou que as empresas assegurassem ao menos 80% da frota operando durante a greve. No entanto, o cumprimento dessa determinação se mostrou desafiador, uma vez que o sindicato não havia fornecido as escalas necessárias para os motoristas. Até o início da manhã desta quarta-feira, cerca de 1.700 ônibus, o que representa aproximadamente 50% da frota, estavam circulando.

Em resposta ao aumento da demanda, serviços como trens e metrôs estão sendo reforçados, com viagens extras programadas para tentar minimizar o impacto da greve nos passageiros. A situação continua a gerar preocupação tanto para os usuários do transporte público quanto para as autoridades, que buscam garantir a normalização dos serviços essenciais na cidade.

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