Gravações que circulam na internet revelam a dinâmica desses espaços virtuais. Nessas filmagens, jogadores controlam avatares que se envolvem em atividades ilícitas, usando entorpecentes e brandindo armas de fogo. Os personagens, ostentando cordões de ouro, frequentemente escondem os rostos com máscaras. Alguns se apresentam em fardas camufladas, reminiscentes das utilizadas por membros da facção em ações criminosas.
Entre as imagens, destaca-se um cartaz de “procurado”, similar aos usados pelo Disque-Denúncia, colado em uma parede do cenário do jogo, enquanto pichações que marcam o território da facção decoram os edifícios virtuais. A Polícia Civil já instaurou um procedimento na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) e investiga a situação com diligências em andamento.
Em resposta à crescente preocupação, a Roblox declarou que proíbe conteúdos que retratem ou promovam atividades ilegais. A empresa afirmou que toma medidas para proteger sua comunidade sempre que encontra evidências de violações das suas políticas.
O impacto psicológico dessa exposição à criminalidade virtual é alarmante. A psicóloga Laina Amorim, do Hospital Mantevida, alerta para os riscos associados a esse tipo de conteúdo. Ela explica que a repetição de imagens que romantizam o crime pode “anestesiar emocionalmente” o cérebro dos jovens. Isso pode levar adolescentes a associar poder criminoso com sucesso, admirando infratores como modelos de autonomia e força.
Amorim destaca que essa simulação pode normalizar a criminalidade na visão infantil. Quando o crime é entrelaçado com diversão e socialização, ele pode ser percebido como uma parte natural da cultura do grupo. Para os responsáveis, a especialista recomenda vigilância em relação a mudanças comportamentais nos filhos, como aumento da agressividade, isolamento e interesse excessivo por temas violentos.
Ela sugere que, ao invés de proibir, os pais devem fomentar diálogos sobre os riscos, contextualizar os conteúdos e estimular um pensamento crítico nos jovens. A Roblox, por sua vez, ressalta o uso de inteligência artificial e uma equipe de especialistas em moderação para revisar conteúdos antes da publicação, além de enfatizar a importância da colaboração com as autoridades para apoiar investigações.
