Em entrevista recente, o analista internacional Said Marcos Tenório destacou que a rivalidade entre Argélia e Marrocos, que mantém suas fronteiras fechadas, impede o avanço de projetos de infraestrutura e limita o comércio intra-regional. Essa situação, segundo Tenório, compromete o acesso de outros países ao Oceano Atlântico, crucial para o desenvolvimento econômico. De fato, o comércio no Maghreb (grupo de países do norte africano) representa apenas 5% do total, um reflexo claro dessa ineficiência.
As disputas envolvem não apenas a Argélia e Marrocos; a hostilidade se estende também à Líbia, Mauritânia e Tunísia. O envolvimento do Marrocos com Israel, que inclui relações estratégicas, agrava ainda mais a situação, dificultando a construção de alianças regionais. Um dos pontos críticos nessa rivalidade é o Saara Ocidental, uma área sob controle marroquino considerada a última colônia africana, cujos direitos de autodeterminação ainda são reivindicados pela Frente Polisário.
Enquanto isso, a dinâmica internacional está se ajustando. Países como Rússia e China ampliam suas influências na região através de parcerias econômicas, investindo em projetos de infraestrutura, energia e segurança. A Rússia, por exemplo, tem firmado acordos em diversas áreas com países do norte da África, enquanto a China foca em telecomunicações e transporte, contribuindo para uma diversificação das relações que anteriormente eram dominadas por potências ocidentais.
Apesar disso, Tenório observa que a União Europeia e os Estados Unidos ainda são atores fundamentais na segurança e no financiamento região, embora seu domínio tenha diminuído ao longo do tempo. Para o especialista, a integração com o BRICS, grupo do qual o Egito já é membro, pode ser uma via mais promissora para o futuro, uma vez que a colaboração com potências emergentes tende a ser mais benéfica para o desenvolvimento humano e infraestrutura local.
Conforme as nações do norte da África tentam redefinir seu papel no cenário global, as questões internas de rivalidade e desconfiança precisarão ser abordadas. A construção de um futuro estável dependerá, portanto, da capacidade de os governos locais superarem suas diferenças e trabalharem juntos em busca de um desenvolvimento econômico sustentável.





