Historicamente, o crédito ao consumidor no Brasil sempre se fundamentou no varejo, que teve que assumir o papel de financiador, especialmente em um contexto de inflação elevada onde os bancos focavam suas operações em grandes empresas. Com o tempo, esses métodos evoluíram, mas a lógica – de que o comércio tradicional sempre financiou o consumidor – permanece. Instrumentos como caderneta, crediário, e cartões de loja têm se adaptado às necessidades do mercado, com a preferência por opções que minimizam riscos e que são mais fáceis de operar.
A prática de parcelar compras já está intrinsecamente ligada à cultura brasileira. Para muitos, dividir o custo de bens de maior valor como eletrodomésticos e roupas é uma condição essencial para a compra. O cartão de crédito solidificou essa prática, construindo sua dominância sobre uma realidade já enraizada. Contudo, não pode ser ignorado que essa lógica começou no varejo, utilizando suas ferramentas para atender essa demanda.
Por sua vez, o Pix, lançado em 2020, trouxe uma revolução ao sistema de pagamentos. Suas características facilitaram a inclusão de milhões de brasileiros sem acesso ao sistema financeiro formal, modificando as dinâmicas de mercado. Ao permitir transações de maneira rápida e sem complicações, o sistema mostra-se eficiente, participando de uma parcela crescente das transações de consumo.
Em cinco anos, o Pix provou ser um mecanismo poderoso, alcançando uma participação significativa no consumo privado. Em 2025, estima-se que o sistema já terá superado o cartão de crédito em volume de transações, consolidando-se ainda mais como uma opção viável para diversos segmentos.
A profundidade dessa transformação vai além dos números. O Pix está fornecendo uma base de dados valiosa e permitindo o acesso ao crédito para aqueles que antes estavam à margem. Essa nova camada de crédito, que agora pode ser oferecida por bancos e fintechs, representa uma evolução na forma como o varejo opera, introduzindo métodos de parcelamento diretamente integrados ao sistema de pagamentos.
Assim, o varejo continua a ser o principal ator no financiamento do consumo, mas agora com instrumentos modernos e adaptados às novas necessidades do consumidor, reforçando a continuidade de uma história que evolui a cada ciclo econômico. O desafio para os lojistas será entender como se adaptar a esta nova era e quais oportunidades podem estar sendo perdidas por não oferecerem as opções de financiamento adequadas. O futuro do varejo dependerá da capacidade de inovar e atender a essa base crescente de consumidores que agora têm acesso a novas soluções de pagamento.





