As fintechs estão utilizando ferramentas como o Pix, o Open Finance e o futuro Pix Automático para ir além da simples fatura, criando um canal de interação digital que pode incluir crédito, seguros e outras ofertas financeiras. Essa estratégia não se limita às distribuidoras de energia; setores como saneamento, gás e telecomunicações estão a caminho de adotar esse modelo nos próximos anos, explorando a previsibilidade e a frequência dos pagamentos.
A ideia central que fundamenta essa transformação é a regularidade das contas de luz, que é um dos poucos gastos que dificilmente são cancelados. Bruno Poljokan, fundador da Liora Energia, ressalta a importância de mudar a percepção da fatura de um simples documento de cobrança para um meio de interação programável com o consumidor. Isso possibilita não só a construção de crédito, mas também a antecipação de benefícios e a possibilidade de acessar outros produtos financeiros.
Para pequenas empresas, a falta de dados organizados muitas vezes é um obstáculo na hora de buscar crédito. Os pagamentos regulares da conta de energia, porém, podem servir como uma base sólida para a análise de crédito, mostrando a capacidade de pagamento do pequeno empresário. As distribuidoras conhecem melhor seus clientes e seu comportamento, o que abre uma janela para desenvolver serviços financeiros a partir dessa confiança e familiaridade.
Com a implementação do Pix, que permite uma conciliação quase instantânea, as dificuldades de pagamento que antes eram comuns, como a dependência de boletos e a dificuldade de débito automático, estão sendo gradativamente superadas. No entanto, o verdadeiro avanço ocorre com o lançamento do Pix Automático, que permite autorizações únicas para cobranças regulares que não requerem ação do cliente após a configuração inicial.
Entretanto, apesar das facilidades trazidas pela tecnologia, muitos sistemas financeiros ainda operam de maneira tradicional, e a integração entre as novas soluções e as estruturas já existentes é fundamental para maximizar os benefícios. Em um contexto em que serviços financeiros e utilities se entrelaçam, a próxima fase, conhecida como Open Energy, promete expandir ainda mais as possibilidades de interação entre consumidores e serviços.
Esse novo paradigma requer, no entanto, que os consumidores estejam cientes das autorizações que estão concedendo, assim como entender os benefícios que podem vir disso. Portanto, à medida que as fintechs continuam a desenvolver soluções adaptadas, será crucial garantir que os clientes reconheçam o valor real por trás dessas inovações. A corrida está apenas começando, e aquele que construir uma infraestrutura robusta e confiável terá a oportunidade de liderar nesse novo mercado em crescimento.
