Em resposta a essa ação, o governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou profundo repúdio à decisão e qualificou as justificativas apresentadas pelos EUA como “falsas”. A Secretaria de Comunicação Social do governo brasileiro emitiu uma nota enfatizando que o processo de agrément é, por sua natureza, confidencial. O governo destacou que, conforme estipulado pelo artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, a divulgação do nome de um candidato à chefia de uma embaixada só deve ocorrer após a conclusão de todos os procedimentos formais. “O Brasil segue rigorosamente as normas do direito internacional. Não existe um prazo explícito na Convenção para a concessão do agrément; o pedido ainda está sob análise”, esclareceu.
Além dessa questão, o governo brasileiro reiterou sua posição sobre o impedimento de dois funcionários americanos de entrarem no Brasil, medida que, segundo ele, acirrou ainda mais as tensões diplomáticas. O governo brasileiro usou como justificativa para a restrição ao ingresso dos diplomatas americanos o fato de suas viagens serem supostamente ligadas a tentativas de desestabilizar o sistema eleitoral do país. Essa medida foi vista como uma tentativa inaceitável de interferência nos assuntos internos brasileiros.
Adicionalmente, o governo brasileiro destacou que a revogação do visto de Viotti deve ser entendida como parte de uma “escalada deliberada de ações hostis” por parte dos Estados Unidos, motivada por fatores ideológicos. Em sua nota, o governo deixou claro que existe um interesse desproporcional por parte dos EUA em influenciar as futuras eleições presidenciais no Brasil. O governo brasileiro reafirmou seu compromisso com o diálogo e a negociação, buscando resolver as divergências por meio de discussões pacíficas.
Por outro lado, o Departamento de Estado americano justificou a revogação do visto como uma consequência da demora brasileira em aprovar o nome de Daniel Perez, indicado para o cargo de embaixador. No entanto, segundo um oficial do departamento, essa revogação não implica que Viotti seja considerada persona non grata, e sua permanência no país está garantida até que a situação se normalize. A lacuna na embaixada dos EUA no Brasil se estende desde 2025, quando Elizabeth Bagley foi chamada de volta e, desde então, Natasha Franceschi tem exercido o papel de encarregada de negócios.
