A jornada de reexame do caso ganhou impulso em 2020, quando o podcast “Projeto Humanos” trouxe à tona gravações que evidenciaram a tortura sofrida pelos acusados para que confessassem o crime. A repercussão dessas revelações foi tamanha que o escândalo motivou a produção da série “O Caso Evandro”, disponível na plataforma Globoplay. O material, que inclui fotos e arquivos nunca antes divulgados, impulsionou um acalorado debate sobre as falhas cometidas nas investigações originais.
O assassinato de Evandro, que tinha apenas 6 anos à época do crime, ocorreu em 1992, em Guaratuba, Paraná. Seu corpo foi encontrado em uma área de mata, apresentando sinais de brutalidade. A narrativa envolvendo Beatriz e Celina Abagge, que foram acusadas de participarem de um ritual macabro onde o menino teria sido sacrificado, originou a fama de “as bruxas de Guaratuba”, uma etiqueta que acompanhou o caso por décadas.
Ao longo do processo, o caso passou por cinco julgamentos, cada um trazendo novas versões e reviravoltas, refletindo a complexidade e as desilusões do sistema judiciário brasileiro. A decisão do STF não só afirmou a inocência dos ex-condenados, mas também lhes conferiu o direito de buscar indenizações por danos morais e materiais decorrentes do erro judiciário.
A longa espera por justiça, agora com um novo panorama, ressalta a importância de revisitar e reexaminar casos emblemáticos à luz de novos fatos e tecnologias. Apesar de fechar um capítulo, o caso Evandro ainda se mantém aberto em muitos sentidos, com a sociedade clamando por respostas, enquanto o verdadeiro responsável pela tragédia continua à solta.
