O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, teve encontros bilaterais com representantes de vários países do bloco. Destacam-se suas conversas com o ministro russo Sergei Lavrov e o chanceler sul-africano Ronald Lamola. Em particular, Vieira discutiu a atuação conjunta do BRICS e do G20, além de abordar a candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa candidatura é vista como uma oportunidade significativa para fortalecer a presença do Sul Global na governança internacional.
Um dos principais focos da cúpula envolveu a posição do Irã sobre o conflito no Oriente Médio, com o chanceler iraniano Abbas Araghchi solicitando uma condenação conjunta às ações dos Estados Unidos e de Israel. Contudo, a falta de consenso resultou na ausência de uma declaração conjunta ao final das reuniões, refletindo as divisões internas dentro do BRICS, especialmente em relação a questões delicadas que incluem as tensões com os Emirados Árabes Unidos.
Durante a cúpula, foi discutido também a necessidade de reforma nas estruturas da ONU, com ênfase na atualização do Conselho de Segurança, que muitos líderes consideram desatualizado para lidar com os desafios atuais. O chanceler indiano, Subrahmanyam Jaishankar, ressaltou que é essencial garantir a preservação das rotas marítimas internacionais, destacando a relevância do estreito de Ormuz para a estabilidade econômica global.
Apesar das dificuldades em firmar uma declaração final abrangente, o encontro revelou um fortalecimento contínuo nas relações comerciais dentro do bloco. O comércio da Índia com os países do BRICS alcançou impressionantes US$ 416 bilhões em 2025, mostrando a resiliência e a interdependência econômica entre os membros, apesar das tensões geopolíticas.
Em suma, a reunião dos chanceleres do BRICS não apenas elucidou os desafios enfrentados pelo bloco, mas também destacou a importância de uma ação colaborativa em resposta a um ambiente internacional cada vez mais complexo. A preparação para a cúpula de líderes no final de 2026 sinaliza que esses países estão comprometidos em buscar uma maior coesão e uma voz unificada nas questões globais.
