No início de outubro, o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apresentou um relatório resultante de uma investigação administrativa iniciada em julho de 2025. Essa investigação levantou preocupações sobre práticas comerciais do Brasil que, segundo Washington, favorecem injustamente empresas brasileiras. Entre os pontos destacados, estão os benefícios exclusivos ao sistema de pagamentos Pix em detrimento das multinacionais americanas e as tarifas sobre importações de etanol.
O relatório sugere a implementação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, embora inclua uma lista de exceções. Essa proposta faz parte do processo atual de consultas públicas, que culminará em uma audiência em Washington antes de uma decisão final por parte da Casa Branca.
Além disso, uma outra investigação relacionada a alegações de trabalho forçado está em andamento e afeta diversos países, não se restringindo ao Brasil. Atualmente, as exportações brasileiras sujeitas a uma tarifa mínima de 10% tiveram um alívio em comparação ao que ocorreu em 2025, quando as altas taxas impactaram severamente as vendas.
É estimado que, considerando os dados de 2024, cerca de 31,6% das exportações do Brasil aos EUA, totalizando aproximadamente US$ 13 bilhões, sofreriam as consequências das novas sobretaxas. A CNI também apontou que, com esse novo panorama tarifário, 54,1% das vendas estariam sujeitas a tarifas adicionais, considerando as várias categorias de produtos.
Os setores de aço e alumínio são os que mais enfrentam as consequências. Produtos como ferro gusa, açúcar de cana e álcool etílico estão entre os que mais seriam afetados. A recessão fiscal imposta por essas novas taxas poderá ter um efeito cascata no comércio bilateral, exigindo que exportadores brasileiros se preparem para um ambiente concorrencial bastante desafiador. Com essa situação se desenrolando, a comunidade empresarial e econômica observa atentamente as decisões que emergirão dessa investigação e suas implicações para o futuro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
