No mesmo dia em que Moraes decidiu sobre a prisão domiciliar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, devido a abuso de poder político e econômico. Essa decisão desestabilizou os planos de Castro de concorrer ao Senado em outubro, o que, segundo alguns aliados, resultou em uma participação reduzida de Bolsonaro nas discussões sobre novos candidatos.
Embora a justificativa para as restrições de visitas seja relacionada a cuidados de saúde e a necessidade de um “ambiente controlado”, essa limitação tem impactos diretos na rede de contatos de Bolsonaro. O ex-presidente, que costumava receber parlamentares e demais emissários partidários para discutir estratégias eleitorais e delinear candidaturas, agora se vê dependente de relatórios filtrados, uma vez que as interações presenciais foram reduzidas drasticamente.
Antigamente, a sua residência se tornava um ponto de encontro, recebendo a visita de cerca de 40 pessoas fora do círculo familiar. Entre os visitantes, estavam políticos influentes como Tarcísio de Freitas e Rogério Marinho, que levavam informações e orientações sobre os diferentes cenários eleitorais. Durante essas interações, decisões estratégicas eram tomadas e encaminhamentos estavam sendo definidos. Por exemplo, Marinho apresentou a Bolsonaro um mapeamento das candidaturas em diversos estados e recebeu instruções sobre as prioritárias, como São Paulo e Minas Gerais.
Com a nova ordem, o acesso é restrito principalmente aos familiares, como a ex-primeira-dama Michelle e o senador Flávio Bolsonaro. Esse novo cenário não apenas limita a troca de informações e o embate de ideias, mas também aumenta o peso das decisões que Michelle pode vir a tomar, dado que ela se torna a principal fonte de informações para o ex-presidente. Na prática, as comunicações e a articulação política passam a ser mais centralizadas, o que pode levar a um distanciamento de interesses e estratégias, especialmente em estados como o Ceará, onde há divergências notáveis entre os núcleos político e familiar sobre como proceder em relação a possíveis alianças e candidaturas.
Se essa situação persistir, as consequências poderão ser sentidas nas futuras articulações eleitorais do ex-presidente, que, agora, enfrenta um desafio sem precedentes para retomar sua influência no cenário político nacional.






