Resort em Ribeirão Claro, ligado à família de Toffoli, é foco de escândalo por cassino com jogos proibidos; ministro não se pronuncia sobre as denúncias.

Resort em Ribeirão Claro Envolto em Polêmica: Jogo, Propriedade e Denúncias

Localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, o Resort Tayayá, que pertence à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está no centro de uma controvérsia que mistura turismo e jogo. O espaço abriga um cassino, que possui máquinas de apostas e mesas de jogos como blackjack, modalidade de jogo proibida no Brasil. Esse cassino, que opera com jogos de cartas e valendo dinheiro, levanta questões sobre a atuação do ministro em investigações envolvendo o Banco Master, dado que Toffoli é relator do caso no STF.

Conhecido informalmente como o “resort do Toffoli”, o estabelecimento não menciona oficialmente o nome do ministro, mas é tratado assim por funcionários. Recentemente, houve uma festa de grande porte no local, organizada por Toffoli, onde foram convidados familiares e amigos, incluindo figuras públicas como o ex-jogador Ronaldo Fenômeno. Apesar de a propriedade ter sido vendida por irmãos do ministro a um advogado da gigante frigorífica J&F, ainda há uma conexão notável de Toffoli com o local, que já recebeu ilustres visitas, incluindo colegas do STF.

As questões de legalidade em torno das atividades do resort se intensificam quando consideramos que jogos de azar presenciais são, em teoria, proibidos no Brasil. No entanto, uma decisão do STF em 2020 permitiu a exploração de vídeo loterias, um termo técnico que se aplica a máquinas como as encontradas no Tayayá. Mesmo assim, jogos como blackjack continuam a ser considerados ilegais no país. Funcionários do resort relataram que, em diversas ocasiões, crianças foram vistas jogando nas máquinas, algo que agrava a preocupação sobre a gestão e os regulamentos locais.

Para adicionar mais complexidade ao quadro, a estrutura do resort inclui várias comodidades luxuosas, atraindo um público seleto que paga altas diárias para se hospedar. O acesso ao local exige um planejamento cuidadoso, com a necessidade de voos fretados seguidos de deslocamentos de helicóptero. Embora o advogado que representa o resort tenha negado qualquer irregularidade, esclarecendo que os jogos são permitidos pela loteria estadual e que as mesas de cartas são destinadas apenas para o entretenimento dos hóspedes, o cerne da questão levanta criticamente a discussão sobre a ética e a transparência de figuras públicas envolvidas em negócios que operam na legalidade cinzenta.

Em meio a essa situação, a presença constante de Toffoli no resort e a interligação com seu círculo familiar e profissional colocam em xeque a independência da Justiça, ressaltando a importância de um olhar atento sobre os possíveis conflitos de interesse. A sociedade continua a observar de perto esses desdobramentos, questionando a integridade das instituições em tempos de crescimento da crítica pública.

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