As intervenções previstas contemplam a requalificação do Sambódromo e a integração da passarela da Marquês de Sapucaí com o entorno, criando um espaço mais acessível e convidativo. Uma das propostas mais inovadoras é a Biblioteca dos Saberes, que será projetada pelo renomado arquiteto burquinês Francis Kéré. O projeto também inclui a criação de um convênio com o governo do estado para a expansão da linha 2 do metrô, facilitando o acesso à Praça da Apoteose e ao bairro do Catumbi, por meio da construção de novas estações.
O tópico habitacional ganha destaque com a intenção de preservar e requalificar a Vila Operária Salvador de Sá, um dos conjuntos habitacionais mais antigos do Rio. A nova legislação urbanística divide a área em setores com parâmetros específicos, exigindo que novas edificações tenham fachadas ativas, promovendo interação com o espaço público.
Uma proposta inspirada em iniciativas anteriores, como o Reviver Centro, prevê a criação de um bônus urbanístico, permitindo que empresários que investirem na região possam aplicar em outros locais, especialmente nas zonas Sul e Norte da cidade. As regras para essas operações interligadas variam entre as regiões, com maiores limitações de construção na Zona Sul.
O projeto Praça Onze Maravilha abrange uma vasta área de 458 mil metros quadrados com investimentos previstos de R$ 1,7 bilhão, potencialmente por meio de parcerias público-privadas. Embora a prefeitura assegure que não haverá desapropriações, moradores manifestam receios, especialmente em relação aos 324 imóveis classificados como alienados, que correm o risco de serem vendidos. Para muitos, essa transformação urbana pode significar uma ameaça à permanência em suas casas, onde vivem há décadas.
Enquanto o prefeito Eduardo Cavalieri ressalta a importância de revitalizar esse espaço considerado histórico, os moradores expressam sua preocupação com os impactos e a possível perda de suas residências. Um comitê de acompanhamento das obras, que incluirá representantes da sociedade civil, foi criado para garantir que as vozes dos afetados sejam ouvidas à medida que o projeto avança. Essa mudança não é apenas sobre a reestruturação física, mas busca também ser um reflexo de um compromisso com a população local e sua história.
