A eleição de 2026 para a Câmara dos Deputados em Alagoas deve repetir um padrão observado em pleitos anteriores, marcado por baixa renovação e ampla vantagem para parlamentares que já ocupam mandato. A avaliação é do professor e analista político Marcelo Bastos, feita durante o quadro Momento Político, divulgado em suas redes sociais.
Segundo o analista, o atual modelo eleitoral, aliado à força das estruturas partidárias, das bases municipais e, sobretudo, ao volume de recursos disponíveis por meio das emendas parlamentares, cria um ambiente pouco favorável à entrada de novos nomes. Cada deputado federal dispõe atualmente de cerca de R$ 40 milhões anuais em emendas impositivas, o que pode chegar a aproximadamente R$ 160 milhões ao longo do mandato, além das emendas de bancada e de comissão, acessíveis aos parlamentares com maior poder de articulação.
Diante desse cenário, Marcelo Bastos divide a atual bancada federal alagoana em dois grupos. No primeiro estão os deputados que ultrapassaram a marca de 80 mil votos na eleição de 2022, considerados em posição confortável para a reeleição. No segundo grupo aparecem aqueles que ficaram abaixo dos 70 mil votos e que, segundo a análise, precisarão ampliar articulações políticas e eleitorais para manter o mandato.
Entre os mais votados em 2022 estão Arthur Lira, Alfredo Gaspar, Luciano Amaral, Marx Beltrão e Isnaldo Bulhões Jr.. Arthur Lira, o mais votado do estado em 2022, não deve disputar a reeleição, já que é pré-candidato ao Senado. Bastos avalia que há possibilidade de transferência de capital político dentro da família, fenômeno recorrente na política alagoana.
Alfredo Gaspar, segundo mais votado no último pleito, teve desempenho expressivo em Maceió e ampliou projeção nacional nos últimos anos. Caso opte por disputar novamente a Câmara, tende a figurar entre os mais votados; se concorrer ao Senado, pode repetir desempenhos históricos observados em eleições anteriores. Luciano Amaral mantém base eleitoral consolidada, enquanto Marx Beltrão caminha para o quarto mandato, apoiado por uma recomposição de forças familiares e regionais. Isnaldo Bulhões Jr., líder do MDB na Câmara e relator do Orçamento da União, aparece com forte influência no Sertão e apoio do grupo político dos Calheiros.
No grupo dos parlamentares que ficaram abaixo dos 70 mil votos em 2022 estão Paulão, Daniel Barbosa, Fábio Costa e Rafael Brito. Segundo Bastos, esses deputados enfrentam um cenário mais competitivo e dependem de alianças políticas, fortalecimento de bases locais e maior visibilidade para garantir a reeleição.
Apesar das diferenças de desempenho eleitoral entre os grupos, o analista avalia que a tendência geral é de renovação limitada. Mesmo parlamentares com votação mais modesta podem permanecer competitivos em razão da visibilidade do mandato, do apoio de prefeitos e lideranças regionais e do peso das estruturas partidárias, fatores que continuam a exercer influência decisiva nas disputas proporcionais em Alagoas.
