Renan busca consolidar seu poder em Maceió

Candidato apoiado por senador tenta desbancar prefeito tucano

BRASÍLIA — Figura central da cena política em Brasília e influente no governo Michel Temer, ainda mais depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e da cassação do deputado Eduardo Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cujo filho já governa, aos 36 anos, Alagoas, depende dos resultados das urnas para consolidar seu poder no estado e em Brasília. O PMDB alagoano estima conquistar 60% das prefeituras do interior. Entretanto, os adversários avaliam que a disputa pela capital, Maceió, é, neste momento, a joia da coroa.

— Eles (os Calheiros) queriam me apoiar indicando o vice, mas não aceitei. A prefeitura não é uma secretaria de estado nem teria um preposto — afirma o prefeito e candidato à reeleição, Rui Palmeira (PSDB), líder com 35% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Ibope.

Nas últimas semanas, ele esteve em empate técnico com Cícero Almeida, o candidato que Renan levou do PSD para o PMDB.

— Com minha recusa, começaram a trabalhar a melhor opção para tentar me derrotar — diz Palmeira.

TUCANO SUBIU 7 PONTOS EM PESQUISA

Na campanha mais curta e provavelmente mais econômica das últimas duas décadas, graças à proibição de doações empresariais, só um nome conhecido tem chances eleitorais. Esse é o caso de Almeida, radialista, deputado federal, duas vezes prefeito de Maceió. Na última aferição do Ibope, ele caiu três pontos, para 28%, dentro da margem de erro, enquanto Palmeira subiu quatro. Mas a maior surpresa é o candidato do PSB, o também deputado João Henrique Caldas, o JHC, que subiu sete pontos, chegando a 18%.

Apesar de competitivo, o popular mas quase sexagenário Cícero Almeida está provando o mesmo veneno que seus atuais aliados serviram aos adversários na eleição para governo do estado, ao lançar Renan Filho: o apelo junto ao eleitorado do candidato jovem, supostamente moderno. Uma fábula que parece encantar os alagoanos desde os tempos de Collor, o caçador de marajás.

Mara Bergamaschi – o globo

18/09/16

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