Relator da CPMI do INSS pede indiciamento de Daniel Vorcaro e lobista por fraudes em empréstimos que prejudicaram aposentados e pensionistas.

O deputado Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, apresentou um relatório final que pede o indiciamento de figuras centrais em um esquema de fraude envolvendo empréstimos consignados que prejudicou aposentados e pensionistas. Entre os alvos estão Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ambos são acusados de envolvimento em práticas fraudulentas que têm gerado um alarmante número de reclamações por parte dos consumidores.

O relatório de Gaspar contém sugestões de denúncia contra Vorcaro por oito crimes, incluindo organização criminosa e estelionato previdenciário. Ele alega que o Banco Master utilizou o chamado produto Credcesta, que se apresenta como uma linha de crédito consignado, como principal impulsionador de seu crescimento, além de supostamente ter adotado manobras para aumentar os limites das margens consignáveis. O deputado encontrou evidências de que a instituição comprometeu indevidamente a renda dos aposentados, impondo taxas de juros abusivas.

A CPMI deve discutir a aprovação do parecer final nesta sexta-feira. Se aprovado, o relatório será encaminhado ao Ministério Público Federal e à Advocacia-Geral da União, que avaliarão a viabilidade das denúncias. O envolvimento de Vorcaro é descrito por Gaspar como um “padrão grave de desconformidades”, com indícios de concessão de créditos consignados sem a autorização dos beneficiários.

O relatório também foca em Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como o “epicentro da corrupção ativa”. O lobista, que já foi preso, é acusado de facilitar o desvio de recursos públicos e promover uma rede de corrupção envolvendo diversos setores. Gaspar descreve que Antunes operou um “caixa de propinas”, utilizando sua influência para manter acordos benéficos com o INSS. Além disso, levantou-se a possibilidade de que suas conexões, incluindo um suposto vínculo com Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, tenham sido fundamentais para a continuidade de suas ações.

O relato do deputado conclui que a atuação de Antunes requereu um nível de sofisticação que incluía blindagem patrimonial através de offshores, com o objetivo de perpetuar sua posição dentro desse esquema criminoso. O relatório reforça a gravidade das implicações deste caso, que envolve não apenas práticas comerciais fraudulentas, mas também uma rede de corrupção institucional ampla, afetando diretamente a vida de cidadãos vulneráveis.

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