A construção dessa relação pessoal entre os dois líderes é vista como um fator crucial para mitigar a influência dos Estados Unidos sobre o processo eleitoral no Brasil. Fontes diplomáticas comentam que a postura respeitosa e amigável adotada por Trump em relação a Lula é um indicativo de que a administração americana está menos inclinada a apoiar publicamente candidatos alinhados à direita, o que, em anos anteriores, gerava apreensão entre os apoiadores do atual presidente brasileiro e potencialmente contaminava o ambiente político interno.
Entretanto, é importante ressaltar que os assessores de Lula estão cientes da natureza imprevisível do ex-presidente americano. Essa característica de Trump demanda uma abordagem cautelosa e uma atuação estratégica por parte da diplomacia brasileira, visando preservar a aproximação entre os governos. Assim, o governo de Lula trabalha para evitar qualquer movimento que possa ser interpretado como uma provocação ou que possa deteriorar os laços construídos.
No entanto, a trajetória recente não foi marcada apenas por avanços e consolidações. O passado não muito distante trazia um cenário de desconfiança. Em julho do ano passado, a imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos foi vista por membros do governo brasileiro como uma tentativa de minar a nova administração de Lula, possibilitando eventualmente o retorno de Jair Bolsonaro ao poder. Mesmo com a reversão dessas tarifas e outras iniciativas de tensão, o clima de incerteza permaneceu. A relação entre os dois líderes, que já contava com diálogos telefônicos e encontros presenciais, agora é reforçada pela esperança de que essa nova fase possa ser marcada por cooperação, evitando crises políticas desnecessárias.
