Beto Louco, que já foi um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, enfrenta investigações que o implicam em um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação tributária, supostamente ligado a postos de combustível associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Documentos obtidos mostram que as entradas de Rueda e Beto Louco foram registradas simultaneamente, um procedimento feito por um funcionário do aeroporto que anota nome e documento de identificação.
O terminal, que oferece um ambiente limitado, inclui um lobby com poucas cadeiras e duas salas de reuniões, o que facilita encontros entre distintos passageiros. Rueda, ao ser questionado sobre a coincidência de horários, reiterou que estava frequentemente no terminal para se reunir com diversos indivíduos e que, naquele momento, centenas de pessoas poderiam ter passado pela mesma área.
Além de Rueda e Beto Louco, outras duas figuras tiveram suas entradas registradas no hangar: a esposa de Rueda e o empresário Maurício Ali de Paula, também nome citado nas investigações da Operação Carbono Oculto. Ali de Paula confirmou sua presença, mas negou ter tido qualquer encontro ou feito viagem com Rueda ou Beto Louco. A defesa de Beto, por sua vez, optou por não comentar.
Mais cedo naquele dia, três entradas foram registradas às 17h30, com outras quatro ocorrendo entre 19h e 20h. Com um número restrito de áreas para esperar pelos voos, o terminal ainda presenciou a decolagem de três aeronaves após as 18h. O primeiro deles partiu às 18h01 com destino a Jundiaí, seguido por um segundo voo com destinação não identificada e um terceiro que seguiu para Maceió.
A relação entre Rueda e Beto Louco já era de conhecimento das autoridades. Recentemente, a revista piauí trouxe à luz a troca de mensagens entre os dois, que ocorreram de outubro de 2023 a maio de 2024. Essas comunicações foram partes de negociações para um possível acordo de colaboração premiada, ainda não formalizado. O Ministério Público e a Polícia Federal continuam a investigar a conexão entre Beto Louco e suas atividades, que incluem a suposta lavagem de dinheiro e articulações políticas, sendo ele considerado um dos líderes desse esquema criminoso.
O advogado de Beto Louco classificou as alegações de vínculos com o PCC como “falsas e fantasiosas” e assegurou que, após a análise dos processos judiciais, nada indica uma conexão real entre seu cliente e a facção. A defesa de outros envolvidos também enfatiza sua inocência em relação ao crime organizado, mantendo-se firme na contestação das acusações.
