Fontes diplomáticas analisaram a decisão dos Estados Unidos de condicionar a permanência da embaixadora à aprovação do Itamaraty para o novo embaixador norte-americano, Daniel Perez. Perez recentemente recebeu aval em uma comissão do Senado, mas sua nomeação ainda depende da confirmação pelo plenário da Casa, o que aumenta a pressão sobre Brasília. De maneira protocolar, é esperado que o governo americano consulte previamente as autoridades brasileiras sobre tais indicações, uma prática que não foi seguida neste caso, exacerbando ainda mais as tensões existentes.
Desde a posse de Donald Trump, há quase dois anos, a Casa Branca não conta com um embaixador permanente em Brasília, o que contribui para o desentendimento e uma gestão tumultuada das questões diplomáticas. O atual encarregado de negócios, Gabriel Escobar, tem atuado sem a legitimidade de um embaixador plenamente acreditado, tornando a comunicação bilateral ainda mais complexa.
Os sinais de deterioração nas relações incluem ainda a recente negativa do Itamaraty em conceder vistos a diplomatas do Departamento de Estado dos EUA que deveriam visitar o Brasil. A justificativa dada pela administração americana foi de que a missão tinha o intuito de discutir temas como integridade eleitoral e liberdade religiosa. No entanto, essa alegação foi recebida com ceticismo em Brasília.
Um embaixador brasileiro, que preferiu manter-se anônimo, relatou que a situação entre Brasil e Estados Unidos está “trincada” e que há uma escalada de hostilidades. Aliado a esse contexto, a proximidade das eleições no Brasil intensificou o clima de nacionalismo, influenciando as percepções públicas sobre a interação com os Estados Unidos.
Diante desse panorama, fica claro que o caminho para a normalização das relações será desafiador, e as ações recentes de ambos os lados sugere uma escalada que poderá gerar mais descontentamento e desconfiança nas relações bilaterais.
