Leonardo Biondo, liderança da área de Credit as a Service (CaaS) da Serasa Experian, aponta que a intensificação do rigor regulatório pode resultar na concentração do mercado em poucos provedores. Ele destaca que, atualmente, existe uma variedade de prestadores, desde grandes bancos tradicionais até instituições menores. No entanto, essa pluralidade deve ser afetada pela nova normativa que exige uma seleção única de prestador de serviços por cliente, o que certamente favorece os maiores players. Biondo considera que, na prática, essa mudança reduzirá a concorrência e, consequentemente, dificultará a sobrevivência de empresas menores.
De acordo com a visão do executivo, dentro de cinco anos, o cenário deve se consolidar com a presença de apenas três ou cinco grandes provedores dominando o setor. Embora isso possa resultar em um aumento nos custos dos serviços oferecidos, há a expectativa de que a qualidade geral também melhore, em virtude da concentração do mercado.
O crescimento acelerado do BaaS nos últimos anos permitiu que diversas empresas incorporassem serviços financeiros com grande facilidade, utilizando a infraestrutura já regulamentada de entidades bancárias. Essa realidade, no entanto, mudou a partir da Resolução Conjunta nº 16/2025, divulgada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, que trouxe regras específicas para o setor.
A nova regulamentação poderá desencorajar a criação de fintechs e novas startups voltadas para produtos financeiros, levando a uma selecção mais rigorosa no mercado. Chen Wei Chi, responsável pela inovação do InovaBra, acredita que essa configuração, apesar de inicialmente limitada, facilitará o acesso a nichos de mercado específicos, aumentando as chances de sucesso para aquelas empresas que conseguem alinhar seus serviços a públicos bem definidos.
Embora compartilhe da preocupação sobre a limitação de prestadores, Chen vê aspectos positivos nas diretrizes propostas. Ele ressalta que a definição clara de responsabilidades entre prestadores e tomadores, assim como medidas de prevenção contra fraudes, são fundamentais para a saúde do setor. De acordo com ele, delegar funções críticas a empresas sem infraestrutura adequada para lidar com questões de segurança e compliance pode abrir brechas para práticas fraudulentas, o que torna a regulamentação um passo necessário para a sustentação do mercado financeiro no Brasil.
