Com a nova legislação, a incidência de impostos sobre bens e serviços passa por um redesenho crucial, impactando o relacionamento entre fornecedores e consumidores, além de exigir uma organização financeira e fiscal que muitas PMEs ainda não possuem. O crédito tributário se torna um pilar estratégico no cenário do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Assim, empresas que conseguem gerar crédito fiscal de maneira mais eficiente ao longo da cadeia produtiva estarão em vantagem competitiva, podendo oferecer preços mais atraentes e manter margens de lucro saudáveis.
Em um cenário em que a precificação de produtos e serviços precisa de uma análise tributária detalhada, decisões embasadas em práticas anteriores a 2025 poderão desvalorizar as margens de lucro daquelas que não se adaptarem. Adicionalmente, as relações comerciais evoluirão, já que empresas optantes pelo Simples Nacional não gerarão crédito tributário integral para seus clientes no novo regime. Isso pode levar grandes corporações a pressionar seus fornecedores menores a adotarem o regime do Lucro Presumido ou Real, afetando diretamente a competitividade dessas micro e pequenas empresas.
Outro ponto relevante é a introdução do “split payment”, que começará a ser testado em 2027. Com essa mudança, a liquidação de transações realizadas por meio de cartões ou sistemas de pagamento instantâneo, como o Pix, direcionará automaticamente os tributos ao Fisco, fazendo com que as empresas recebam apenas o valor líquido das vendas. Com alíquotas em torno de 28%, uma parte considerável do faturamento bruto não passará mais pelo caixa das empresas que não possuem créditos a serem descontados, aumentando a necessidade de crédito bancário para capital de giro, o que eleva o risco de insolvência.
A reforma também visa combater a informalidade fiscal, integrando o sistema tributário às transações financeiras e notificando a Receita Federal sobre operações realizadas sem a devida documentação fiscal. O governo investiu uma quantia significativa em tecnologia para viabilizar essa integração, tornando inviável a manutenção de operações que dependem da sonegação fiscal.
Nesse contexto, a adoção de sistemas de gestão, como ERPs, não é mais uma vantagem competitiva, mas uma questão de sobrevivência. Dados recentes revelam que entre 60% e 70% das PMEs ainda operam sem esses sistemas adequados, o que dificultará o cumprimento das obrigações fiscais e a tomada de decisão em um quadro digital cada vez mais exigente. Esses indicadores revelam uma lacuna, onde 70% dos contadores não estão utilizando as mudanças da reforma como um diferencial em seus serviços, prejudicando tanto os escritórios contábeis quanto as empresas a eles vinculadas.
Com um cronograma apertado em 2026, será dado início aos testes das novas alíquotas, e em 2027, os tributos federais darão lugar à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), enquanto a lógica de arrecadação se tornará ainda mais complexa. Diante de tantas mudanças, a reforma tributária deixa claro que é uma questão que transcende o departamento fiscal, transformando-se em um aspecto vital da gestão corporativa. Assim, o tempo para se adaptar a este novo cenário está se esgotando, e a janela para o planejamento estratégico é agora.
