Quando empresas são avaliadas, o valuation se baseia na projeção da capacidade futura de geração de caixa. Nesse cenário, quanto mais previsíveis forem receitas, custos e a carga tributária, mais preciso será o valor atribuído às empresas. No entanto, a reforma tributária promete alterar essa previsibilidade, introduzindo incertezas sobre como o novo regime afetará diferentes setores da economia.
Embora os contornos da transição já estejam delineados, dúvidas persistem, principalmente em relação à alíquota final do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, à utilização de créditos tributários e à capacidade das empresas de repassar custos. Essa nebulosidade significa que os impactos da reforma ainda não foram completamente integrados nos modelos de avaliação utilizados pelos investidores.
Atualmente, o mercado demonstra uma tendência sutil, mas não conseguiu mensurar com precisão a intensidade dos efeitos da reforma. Isso resulta em um cenário ambíguo, onde determinados setores podem se beneficiar enquanto outros enfrentam dificuldades. A indústria e a distribuição, por exemplo, devem experimentar ganhos, principalmente devido à não cumulatividade do novo sistema. Isso permitirá uma utilização mais eficaz de créditos sobre insumos e custos operacionais, resultando em margens potencialmente mais altas.
Em contrapartida, o setor de serviços está entre os mais pressionados. Muitas empresas, especialmente aquelas que operam sob o regime de lucro presumido, enfrentam carga tributária elevada, impactando suas margens e capacidade de gerar caixa. Nesse contexto, a eliminação gradual de incentivos fiscais, como o ICMS, e a implementação do split payment podem alterar significativamente a dinâmica do capital de giro, influenciando o valuation das empresas.
É nesse cenário de incertezas que se apresentam oportunidades no mercado de fusões e aquisições. O descompasso entre a percepção dos investidores e a precificação pode permitir que empresários de setores vulneráveis capturam valuations mais altas do que aqueles que serão observados uma vez que os efeitos da reforma se tornem totalmente claros.
Assim, ainda que haja um consenso sobre quais setores podem ganhar ou perder competitividade, a tradução dessas expectativas em números é um desafio que persiste. É nesse intervalo de dúvidas que se delineiam as verdadeiras oportunidades no mercado, com a necessidade de decisões estratégicas sendo mais crucial do que nunca. Adiar ou antecipar movimentos na hora de negociar pode ser a chave para preservar ou maximizar o valor, mostrando que a reforma tributária não afeta apenas a estrutura fiscal do país, mas também o dinamismo e as oportunidades no setor de M&A.





