Referendo na Itália: Vitória do “Não” aponta descontentamento com governo de Giorgia Meloni e fortalece oposição antes das eleições de 2027.

Na última segunda-feira, as projeções de voto revelaram um resultado desfavorável ao governo da primeira-ministra Giorgia Meloni no referendo sobre a reforma constitucional do sistema judiciário italiano. Os dados preliminares indicam que 53,1% dos eleitores optaram pelo “não”, com o instituto Opinio Italia reportando uma margem de 46,9% a favor do “sim”. Outro instituto, Tecnè, corroborou essa tendência, relatando um suporte ao “não” de 54% contra 46%.

Este pleito se configurou como um termômetro crucial para o governo, especialmente em vista das eleições legislativas de 2027. A derrota de Meloni, que se dedicou pessoalmente à campanha pela reforma, marca um revés significativo para sua administração. Durante os dias que antecederam o referendo, a premiê realizou ações inusitadas para conquistar apoio, incluindo uma participação inédita no popular podcast do rapper Fedez, buscando assim mobilizar a juventude em prol da aprovação.

A taxa de comparecimento às urnas foi relativamente alta, com 58,5% de participação, conforme dados provisórios. Contudo, o apoio ao “não” se mostrou mais forte em regiões historicamente alinhadas à esquerda, como Emilia-Romagna e Toscana.

A reforma proposta abarcava mudanças substanciais na estrutura do Judiciário italiano, incluindo a separação das funções de juízes e promotores, a criação de um tribunal superior para disciplinar magistrados, e a reconfiguração do Conselho Superior da Magistratura (CSM) em duas entidades distintas, além de uma nova forma de eleição por sorteio para seus membros.

Para o governo, essas alterações eram vistas como necessárias para modernizar a Justiça e isolar o trabalho de juízes e acusadores, evitando contaminações. A liderança do partido Irmãos da Itália, de Meloni, expressou confiança na proposta, afirmando que não houve arrependimentos e que a administração manteve compromisso com os cidadãos.

Por outro lado, a oposição criticou o governo por tentar ampliar seu controle sobre o Judiciário, especialmente através de mudanças no CSM. A acusação era de que a reforma não abordava problemas estruturais do sistema judicial, como a morosidade dos processos.

Enquanto Meloni insistia que sua permanência no cargo não estaria atrelada ao resultado do referendo, a votação foi vista como um reflexo do sentimento popular em relação ao seu governo, o primeiro liderado por uma mulher na Itália. O sucesso do “não” também representa uma vitória significativa para a coalizão de oposição, que inclui o Partido Democrático e o Movimento 5 Estrelas, ambos buscando enfraquecer a premiação de Meloni de cara às futuras eleições.

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