Reeducando vence concurso de redação promovido pela Defensoria Pública da União

“Mais Direitos, Menos Grades!”. Esse foi o tema da terceira edição do Concurso de Redação promovido pela Defensoria Pública da União (DPU) que este ano, teve como primeiro colocado, um reeducando do Núcleo Ressocializador da Capital (NRC). Graças à diretriz de incentivo a educação da Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), os apenados ganham novas possibilidades de reintegração social por meio do estudo.

A competição teve como objetivo despertar o interesse por temas relacionados à educação em direitos e cidadania no ambiente carcerário, sendo destinado aos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, além da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Adolescentes que cumprem medida socioeducativa e adultos em situação de privação de liberdade matriculados em escola da rede pública ou de ensino técnico também participaram.

Nesta edição, os 27 Estados da Federação inscreveram trabalhos. De Alagoas, nove alunos foram inscritos na categoria 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental e do 1° ao 3° ano do EJA, pela Escola Educador Paulo Jorge dos Santos Rodrigues, que funciona no Complexo Penitenciário, em Maceió. O resultado foi excelente: quatro alunos foram classificados.

Um deles, Arthur Fonseca de Melo, aluno do ensino médio e interno do NRC, conquistou o primeiro lugar em sua categoria. O reeducando explica a motivação para participar do concurso e a familiaridade com o tema. “Esse tema está ligado ao meu dia a dia, pois eu sei, por experiência própria, que precisamos de mais direitos e menos grades”, falou.

“A emoção foi muito grande ao saber que fiquei em primeiro lugar, minha família também ficará feliz. Essa conquista representa muito para mim, é uma forma de mostrar a sociedade que estou mudando, quero ser profissionalizado, estudar e cada vez mais adquirir conhecimento. A mudança está sendo feita”, continuou.

“Fui parabenizado pelos professores da Escola Paulo Jorge e coordenação do NRC. Isso traz ainda mais motivação. No Núcleo, sempre fui incentivado e estive empenhado nos cursos e estudos. Quero voltar a mostrar a parte boa do Arthur. Qualquer um pode errar, o que não pode é permanecer no erro”, finalizou.

O vencedor será premiado com um tablet. Além do estudante, a professora orientadora da redação, Ivana Vanderlei, também será premiada com um certificado de honra ao mérito.

Para a agente penitenciária e supervisora de Educação da Seris, Genizete Tavares, a conquista é reflexo da dedicação e do incentivo à educação no ambiente prisional. “Foi uma oportunidade para debater, no ambiente escolar, assuntos como direito e deveres dos presos e do Estado, com um conteúdo direcionado ao objetivo da redação, tirando dúvidas, conhecendo e aprimorando o conhecimento no assunto”, salientou.

Para a gestora, este concurso possibilitou o debate sobre os assuntos jurídicos de interesse do homem no cárcere em todo o País. “Foi uma forma de promover um meio para a reflexão e o debate sobre direitos humanos, possibilitando, entre outras coisas, conhecer as dificuldades dessas pessoas através dos seus textos”, finalizou a agente penitenciária.

Ascom – 28/11/2017

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