Rede D’Or é denunciada por monitorar médicos para evitar encaminhamentos de pacientes a clínicas externas, levantando questões sobre a autonomia médica e direitos dos pacientes.

Na última semana, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recebeu uma denúncia que envolve a Rede D’Or, uma das maiores operadoras de saúde da América Latina. A acusação refere-se ao suposto monitoramento de médicos nefrologistas realizado pela empresa, com a finalidade de rastrear os encaminhamentos de pacientes para clínicas externas após a alta hospitalar.

Até o fechamento desta reportagem, a assessoria de imprensa da Rede D’Or não se pronunciou sobre as alegações. Nos canais oficiais da companhia, a Rede D’Or reafirma sua posição como líder no setor de saúde na região, mas permanece aberta a comentários.

Conforme informações acessadas, alguns profissionais relataram que pacientes teriam sido contatados por uma empresa terceirizada. Durante essas interações, foram levantadas questões sobre a escolha de clínicas externas e sobre quem teria recomendado esses serviços. Tais práticas levantam preocupações sobre a autonomia médica e o direito dos pacientes de escolherem onde continuar seus tratamentos.

A denúncia ao Cade inclui uma série de documentos internos que indicam um levantamento detalhado sobre as conexões profissionais dos nefrologistas fora da Rede D’Or. Entre os registros, são mencionados e-mails da diretoria médica solicitando esse estudo, além de planilhas que registram a atuação dos médicos fora da rede hospitalar do grupo. Também há relatos de abordagens a médicos sobre suas atividades em outras instituições e os encaminhamentos de pacientes.

Além disso, a denúncia sugere que a SulAmérica, uma operadora de saúde que faz parte do mesmo conglomerado que a Rede D’Or, estaria compartilhando informações sobre a localização de atuação dos médicos e possíveis direcionamentos de pacientes para fora da rede de serviços.

Especialistas destacam que, particularmente na nefrologia, onde muitos pacientes requerem tratamentos continuados, como diálise, as decisões médicas são fundamentais para garantir a continuidade dos cuidados. Os órgãos reguladores, como o Cade, são encarregados de investigar condutas que possam ameaçar a concorrência no setor. Práticas que levam à concentração de mercado ou que restringem a competição podem ser consideradas violações da ordem econômica.

A denúncia também foi protocolada na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável por regular e fiscalizar o setor de saúde. Recentemente, a ANS implementou um novo modelo de fiscalização que promete acelerar a análise de queixas, um aspecto crucial em um momento em que a integração entre operadoras e prestadores de serviços de saúde se torna cada vez mais intensa.

A análise dos reguladores deverá ponderar tanto a concorrência do setor quanto os impactos na assistência oferecida aos pacientes, especialmente em um cenário onde a escolha do local de tratamento é um fator decisivo para a qualidade do atendimento.

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