Características do Liner Complicam a Reciclagem do Material
A empolgação gerada pelo álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 tem levado muitos colecionadores a se perguntarem sobre o destino correto do material que sobra ao destacar uma figurinha. Este papel, conhecido como “liner”, que serve como base para a adesão, apresenta desafios significativos quando se trata de reciclagem.
O liner é um papel revestido com uma fina camada de silicone, projetado especificamente para evitar que a cola das figurinhas grude de forma permanente. Essa característica, embora essencial para a usabilidade do produto, torna o material difícil de reciclar. Quando os usuários descartam o liner no lixo comum, ele acaba em aterros sanitários. Se enviado para a coleta seletiva, muitas vezes é rejeitado por cooperativas e centros de triagem, já que poucas recicladoras estão equipadas para lidar com ele. Em suma, o liner não apenas é um resíduo complicado, mas aumenta os desafios enfrentados pelas instituições que trabalham com gestão de resíduos.
Entretanto, existem iniciativas que buscam solucionar esse problema. A Polpel, uma recicladora localizada em Guarulhos, São Paulo, é uma das poucas empresas na América do Sul que desenvolveu tecnologia capaz de transformar o liner em celulose. Este processo, que permanece em segredo industrial, permite que o material seja reaproveitado na fabricação de novos tipos de papel, incluindo embalagens e papel toalha. Até agosto de 2026, a Polpel está coletando liners das figurinhas da Copa enviados por cidadãos, escolas e grupos organizados, com os lucros resultantes da venda da celulose revertidos para o GRAACC, uma instituição que cuida de adolescentes e crianças com câncer.
A iniciativa começou em 2022, quando Patrícia Meirelles de Azeredo Coutinho, uma designer gráfica e gestora ambiental, percebeu o volume de liners descartados enquanto ajudava seus filhos a completar seus álbuns. A ideia de coletar esses materiais rapidamente se transformou em um movimento nacional, recebendo apoio de escolas e comunidades inteiras. Com aproximadamente 230 quilos de liners reciclados no ano anterior, o evento deste ano enfrenta desafios maiores, dado que a Panini, editora do álbum, não está mais fornecendo suporte financeiro.
Por fim, a sucessão dessa campanha não se resume apenas à reciclagem. Ela se transformou em uma valiosa oportunidade de educação ambiental para as crianças, que criaram gincanas e projetos para aumentar a conscientização sobre a sustentabilidade. Enquanto a febre das figurinhas continua, o pequeno liner deixa de ser um resíduo sem destino e se torna parte de um ciclo de reciclagem que começou com uma simples pergunta: “Onde devemos descartar este papel?”
