Grossi observou que as informações sobre as reservas de urânio nas instalações iranianas atingidas pelos ataques dos Estados Unidos são baseadas nos últimos relatórios de inspeção, realizados antes de um verão tumultuado. Existe a convicção de que o material ainda está no local; contudo, o acesso para novas inspeções depende das negociações em andamento entre os dois países. O diálogo da AIEA está sendo conduzido de maneira cautelosa com o Irã e de forma profissional com os EUA, preparando o terreno para um engajamento mais profundo após um acordo final.
Além disso, Grossi enfatizou a complexidade da situação em Zaporozhie, onde a normalização das operações só será viável após um cessar-fogo. O contínuo conflito militar impede qualquer progresso significativo, sendo cada esforço de reparo uma tarefa delicada que envolve militares e especialistas nucleares. Ele alertou que, em um cenário de guerra, a segurança das operações da AIEA e a recuperação da usina ficam seriamente comprometidas.
Indagado sobre sua possível candidatura ao cargo de secretário-geral da ONU, Grossi ressaltou sua intenção de promover a paz, o desenvolvimento e a proteção dos direitos humanos, ao invés de seguir uma linha de acusações e ameaças. O experiente diplomata acredita que sua vivência em crises, especialmente a ucraniana, poderia contribuir significativamente para um novo enfoque nas relações entre a ONU e as partes em conflito.
Ele defende uma abordagem que priorize o diálogo direto e a presença ativa no campo, buscando uma solução que inspire confiança em todas as partes e promova uma verdadeira cooperação internacional. Para Grossi, a busca pela paz deve sempre prevalecer sobre o conflito, destacando que a radiação nuclear não respeita fronteiras.
