Em uma entrevista, Grossi destacou que sua candidatura não está vinculada a nenhuma ideologia política específica, enfatizando seu papel como funcionário internacional independente. Ele acredita que iniciativas políticas divididas entre direita e esquerda não são produtivas para a América Latina e espera que o Brasil, um país de grande relevância na região, revise sua posição ao longo do processo eleitoral.
A eleição para o novo secretário-geral está prevista para acontecer ainda este ano, uma vez que o atual secretário, o português António Guterres, deverá ser substituído. Tradicionalmente, a decisão sobre a liderança da ONU é influenciada por um rodízio regional, e neste ciclo, a América Latina é a próxima a ter a chance de indicar um candidato. As principais opções em debate são Rafael Grossi e Michelle Bachelet, que passarão pela avaliação dos países membros da ONU, antes de suas candidaturas serem submetidas à aprovação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
Grossi caracteriza essa eleição como uma das mais cruciais da história contemporânea, em um contexto internacional repleto de conflitos e fragmentação. Ele mencionou a percepção generalizada de ceticismo acerca da relevância da ONU, com muitos questionando sua eficácia e até considerando-a como uma força negativa.
Além disso, Grossi apontou que a reforma do Conselho de Segurança da ONU, apoiada por países como a Rússia, exige um novo consenso entre os Estados-membros. Ele afirmou que é inegável a legitimidade do Brasil em ocupar um assento no Conselho, mas essa aspiração depende de um acordo aceitável que contemple as necessidades de diversas regiões. Essa dinâmica complexa reflete a necessidade urgente de se encontrar soluções viáveis para os desafios globais enfrentados atualmente.






