Rafael Grossi Critica Falta de Apoio do Brasil em Candidatura à ONU e Destaca a Urgência de Reformas na Organização Internacional

O presidente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, expressou sua insatisfação com a decisão do Brasil de não apoiar sua candidatura para o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O argentino, que recebeu o respaldo do novo presidente da Argentina, Javier Milei, criticou a escolha do Itamaraty em apoiar a ex-presidente chilena Michelle Bachelet para a posição.

Em uma entrevista, Grossi destacou que sua candidatura não está vinculada a nenhuma ideologia política específica, enfatizando seu papel como funcionário internacional independente. Ele acredita que iniciativas políticas divididas entre direita e esquerda não são produtivas para a América Latina e espera que o Brasil, um país de grande relevância na região, revise sua posição ao longo do processo eleitoral.

A eleição para o novo secretário-geral está prevista para acontecer ainda este ano, uma vez que o atual secretário, o português António Guterres, deverá ser substituído. Tradicionalmente, a decisão sobre a liderança da ONU é influenciada por um rodízio regional, e neste ciclo, a América Latina é a próxima a ter a chance de indicar um candidato. As principais opções em debate são Rafael Grossi e Michelle Bachelet, que passarão pela avaliação dos países membros da ONU, antes de suas candidaturas serem submetidas à aprovação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.

Grossi caracteriza essa eleição como uma das mais cruciais da história contemporânea, em um contexto internacional repleto de conflitos e fragmentação. Ele mencionou a percepção generalizada de ceticismo acerca da relevância da ONU, com muitos questionando sua eficácia e até considerando-a como uma força negativa.

Além disso, Grossi apontou que a reforma do Conselho de Segurança da ONU, apoiada por países como a Rússia, exige um novo consenso entre os Estados-membros. Ele afirmou que é inegável a legitimidade do Brasil em ocupar um assento no Conselho, mas essa aspiração depende de um acordo aceitável que contemple as necessidades de diversas regiões. Essa dinâmica complexa reflete a necessidade urgente de se encontrar soluções viáveis para os desafios globais enfrentados atualmente.

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