Mesmo após a eliminação de Bin Laden, a instabilidade no Oriente Médio permaneceu. Em 2014, surgia o Estado Islâmico (Daesh), um grupo que emergiu, em parte, devido aos desdobramentos da invasão do Iraque em 2003 e à guerra civil na Síria. Especialistas, como o professor Paulo Diniz, levantam questionamentos sobre a eficácia da estratégia dos EUA em trazer estabilidade à região. Ele argumenta que, embora as intenções fossem de combate ao terrorismo, a realidade sugere que esses esforços resultaram em um aumento da violência e da complexidade dos conflitos.
Diniz destaca que a definição de “terrorismo” é fluidamente manipulada. Personagens que foram aliados em um contexto, tornam-se inimigos em outro. Esta oscilação de papéis é exemplificada pela história de Bin Laden, que, nas décadas de 1980, recebeu apoio dos EUA para lutar contra a ocupação soviética no Afeganistão. A dinâmica geopolítica, segundo ele, continua a mudar, com figuras como Ahmed al-Sharaa, atual presidente da Síria, passando de alvo a aliado estratégico.
Além disso, a Guerra ao Terror teve repercussões sociais e culturais significativas, como a crescente islamofobia. No Brasil, um estudo revelou que a maioria das mulheres muçulmanas enfrentou discriminação, resultante da propagação da ideia de que pessoas muçulmanas são potencialmente perigosas, uma narrativa alimentada pela cobertura midiática e políticas estatais.
A análise de Diniz e outros especialistas indica que ações militares dos EUA, como a invasão do Iraque, poderiam ter desestabilizado ainda mais a região, com o surgimento de novos grupos terroristas que ora desafiam a ordem estabelecida. As consequências dessas intervenções revelam um cenário contraditório: enquanto os Estados Unidos buscam combater o terrorismo, suas ações muitas vezes geram mais insegurança e conflito.
A história da Guerra ao Terror, portanto, se desdobra em um complexo emaranhado de alianças, hostilidades e uma constante luta por definir quem é considerado terrorista — uma questão que continua a plagar as relações internacionais e a segurança global até hoje.
